sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A compra do Navio logístico francês vai custar a renovação de duas fragatas

A aquisição à França do Navio Polivalente Logístico Siroco — possibilidade em cima da mesa desde o final do ano passado — vai obrigar à alteração dos planos da Marinha em relação às despesas previstas em equipamento.

Desde o início do ano que Portugal e França se envolveram num processo negocial por forma a dotar as Forças Armadas de um navio identificado desde 1999 como necessário para o sistema de forças. De então para cá já houve visitas técnicas ao navio por parte de peritos portugueses e até contactos entre os ministros da Defesa dos dois países.

Entretanto, o Ministério da Defesa já fez as contas e tenciona assumir os custos do investimento juntamente com a Marinha. Há cerca de um mês, o ministro da Defesa definiu como condição para a aquisição que as verbas necessárias teriam de sair de um ou mais programas delineados na Lei de Programação Militar.

E a escolha está feita. A LPM, aprovada em Conselho de Ministros em Dezembro do ano passado, estabelecia a renovação de cinco fragatas das classes Vasco da Gama e Bartolomeu Dias. Duas destas deverão ficar de fora do processo de revisão por forma a garantir a verba necessária para financiar a compra do Siroco. O custo da operação está estimado nos 80 milhões de euros.

Entre os seus destacamentos encontra-se uma breve passagem pela força militar que operou nos finais de 1999 em Timor-Leste e liderada pela Austrália. Foi também um dos navios que a França enviou para o Haiti no esforço de apoio humanitário desencadeado em 2010, após o terramoto que devastou aquele país. No ano passado, participou na Missão da União Europeia Atalanta, de combate à pirataria na Somália.

Apesar dos seus mais de 30 anos de vida, a Marinha considera a aquisição do navio como uma mais-valia. A compra ou construção de raiz de um navio semelhante implicaria gastos na ordem dos 500 milhões de euros.

O Estado português tem em sua posse os requisitos técnicos e esboços preliminares para a construção deste tipo de navio. Os planos estavam nos arquivos dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, tendo revertido para o Estado português aquando da subconcessão desses estaleiros à Martifer. O conceito do projecto era de uma embarcação multipropósito, mas fortemente vocacionada para as operações anfíbias, dotada de helicópteros de porte médio e lanchas de desembarque, com a capacidade de transportar um batalhão de fuzileiros.

Além da renovação das fragatas, a revisão da LPM prevê a encomenda de dois navios patrulha oceânicos aos estaleiros de Viana do Castelo e à compra de quatro patrulhas costeiras Stanflex 300 à Dinamarca. Estes últimos deverão chegar a Portugal já no próximo mês para sofrerem um processo de upgrade, a fazer no Arsenal do Alfeite.

Aguiar-Branco propôs que os gastos previstos em equipamento militar para os próximos quatro anos cheguem aos 1074 milhões de euros. A nova LPM define ainda como objectivos dotar o Exército de viaturas tácticas ligeiras 4X4, capazes de suprir as lacunas que resultam da denúncia do contrato para o fornecimento dos blindados Pandur.

Está ainda cabimentada a substituição da metralhadora G3, que está ao serviço das Forças Armadas desde 1960, e ainda a renovação ou substituição dos seis aviões de transporte C-130, pelo mesmo número de aeronaves da brasileira Embraer KC-390. A Força Aérea Portuguesa já encaminhou para esse fabricante as especificações requeridas por forma a que a Embraer possa definir o preço de venda a Portugal. (Público)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Exército em exercício militar na Lituânia

O Exército vai participar num exercício militar na Lituânia durante quatro meses, e a partir de Abril, sendo a primeira vez que as Forças Armadas portuguesas se envolvem neste tipo de missão, que visa entre outros objectivos articular a segurança nas fronteiras.

Do Regimento de Cavalaria n.º 6 (RC6), de Braga, estarão envolvidos 140 militares e 30 viaturas pesadas, que serão expedidas do Porto de Leixões, segundo foi hoje anunciado. O coronel Rui Ferreira, comandante do Regimento de Cavalaria de Braga, explicou que “os Esquadrões [Cavalaria] da NATO têm de operar entre si, pois têm técnicas, práticas e doutrinas diferentes, precisando por essa mesma razão de treinar para se integrarem”.

“Neste momento Portugal dispõe dos meios mais modernos”, destacou o comandante sobre os recursos do RC6 e do Exército português¬. “Uma das grandes missões da Aliança Atlântica, no âmbito da defesa colectiva, consiste na incumbência da segurança nas fronteiras”, recordou ainda Rui Ferreira. “Vai ser uma nova missão para o nosso país com a projecção dos meios portugueses, em articulação com as forças americanas, holandesas e lituanas. Vamos operar com a Aliança Atlântica, em toda a Europa Central, num grande exercício militar”, acrescentou.

No Kosovo a partir de Março

O comandante do RC6 falava hoje em Cabeceiras de Basto à margem da apresentação de outro exercício, este com vista a uma missão de paz no Kosovo. O exercício iniciou-se já esta noite na freguesia de Cabanelas, em Vila Verde, tendo sido simulada detenção de uma organização terrorista – “um cenário que não esperamos no Kosovo, mas temos que estar sempre preparados para todas as situações”, segundo revelaram fontes militares. (Sol)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Força Aérea Portuguesa realiza exercício em Beja com 3 mil militares

A Força Aérea Portuguesa (FAP) inicia hoje o exercício anual táctico, REAL THAW 2015 (RT15), na Base Aérea Nº11, em Beja.

O exercício tem como principal objectivo “avaliar e certificar a capacidade operacional da Força Aérea, garantido desta forma, que as forças participantes estão prontas a cumprir com as missões que lhes estão atribuídas na defesa dos interesses nacionais e das alianças internacionais de que o país faz parte”.

Para além da Força Aérea Portuguesa, da Marinha e do Exército, participam forças da
Dinamarca, de Espanha, da Holanda, dos Estados Unidos da América e da NATO num total de 3 mil militares e 40 aeronaves.

As missões aéreas e terrestres decorrem até 6 de Março nos distritos de Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Setúbal e Beja. (Radio Pax)

Líder norte-coreano pede ao exército para estar “totalmente preparado” para a guerra

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, instou o seu exército a estar “totalmente preparado” para a guerra, numa reunião do Partido dos Trabalhadores, informou esta segunda-feira a agência estatal KCNA.

O jovem líder proferiu um “discurso histórico” na primeira reunião em 10 meses da comissão militar central do partido único, no qual afirmou que a situação de segurança é “mais grave do que nunca” tanto na Coreia do Norte como no estrangeiro, segundo a agência oficial KCNA.

Kim exigiu ao exército lealdade a si próprio e ao partido e instou-o a “estar completamente preparado para reagir a qualquer forma de guerra desencadeada pelo inimigo”, que referiu como “os imperialistas dos Estados Unidos”. (Observador)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Uma alemã nas mãos dos portugueses

Dentro de poucos anos é provável que os recrutas deixem de cantar em uníssono, durante a instrução militar, os seguintes versos: "Ó minha rica mãezinha,/ Olha o que a tropa me fez./ Tirou-me a namorada./ E deu-me uma G3." No mínimo dos mínimos, o segundo verso terá de ser alterado para que possa rimar com o nome de outra espingarda automática.

A arma de fogo de origem alemã, ícone da Guerra do Ultramar e da Revolução de 25 de Abril de 1974, usada por sucessivas gerações de portugueses, do início dos anos 60 até hoje, tem os dias contados. Durante este ano, o Ministério da Defesa vai lançar um concurso internacional destinado à aquisição de 10 225 espingardas que vão equipar o Exército.

Segundo a lei de Programação Militar, que a Assembleia da República aprovou na semana passada, a substituta da G3 será comprada entre 2015 e 2016, implicando uma despesa de 41 milhões de euros. Mesmo assim, este investimento é bastante inferior ao previsto na anterior lei de Programação Militar. Seriam 78 milhões de euros para comprar 40 mil espingardas, mas afinal a nova arma só ficará ao serviço do Exército, deixando de fora a Força Aérea e a Marinha. 

Enquanto tal dia não chega, a G3 continua a arma individual dos soldados integrados nas forças que fazem missões no exterior. Pesa 4,1 quilos, a que acrescem 600 gramas quando se junta o carregador com balas de calibre 7,62 mm, tem 1o2 centímetros e começou a chegar às mãos dos portugueses em 1961. 

FAZER AS CONTAS

A espingarda automática, que pode já ter sido empunhada por três gerações de algumas famílias, é uma das constantes das últimas décadas, ainda que o fim do serviço militar obrigatório tenha feito disparar o número de homens que nunca pegaram numa, ao mesmo tempo que algumas mulheres passavam a ter a oportunidade de o fazer. O Exército não avança quantos portugueses usaram a G3 ao longo dos anos, mas adianta que "todos os militares que prestaram e/ou prestam serviço nas fileiras, receberam instrução para manusear e manter esta arma ligeira".

"É só fazer as contas", disse à ‘Domingo’ o general na reserva Loureiro dos Santos, que teve a sua primeira G3 numa comissão de serviço em Angola, de 1962 a 1965. "Tivemos permanentemente uma média de 150 mil soldados em operações, que eram rendidos de dois em dois anos. Fazendo a conta a metade, anda perto de um milhão durante a Guerra de África. De lá para cá, talvez mais um milhão, pois entretanto passaram 40 anos", calcula o ex-chefe de Estado-Maior do Exército.

Apesar de a Guerra do Ultramar ter sido a prova de fogo da G3, criada anos antes pela Heckler & Koch, uma empresa da então República Federal Alemã, Loureiro dos Santos foi para Angola – após Salazar responder aos massacres de fazendeiros e nativos com o célebre discurso do "depressa e em força" – com uma arma de fogo também germânica, mas muito mais arcaica. "Era uma Mauser, de finais da I Guerra Mundial, com uma pequena adaptação", recorda, exemplificando o grau de impreparação das Forças Armadas aquando do início do conflito.

Quando o coronel na reserva Carlos Matos Gomes fez a primeira das suas três comissões nos Comandos, em Moçambique, já a G3 era produzida em Portugal, na Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa. "Na Academia Militar estudávamos a G3, mas não a usávamos, pois estavam quase todas na guerra. Quando cheguei a Moçambique, no lago Niassa, recebi a minha primeira G3 para ir combater", recorda o historiador, autor de diversos romances passados na Guerra do Ultramar, sob o pseudónimo Carlos Vale Ferraz.

Pouco tempo demorou até aperceber-se da ligação afectiva que os combatentes estabeleciam com a espingarda automática. "Aquilo que se ensinava aos soldados é que a G3 era a namorada deles. Nas operações tinham sempre a arma à mão, e mesmo dentro da caserna o normal era terem-na, pendurada pela bandoleira, aos pés da cama. Em caso de necessidade, era a defesa. Era uma companhia, quase um prolongamento do corpo", diz Carlos Matos Gomes.

Para memória futura ficaram as fotos que ex-combatentes tiraram à espingarda automática que lhes fora entregue, antes de a devolverem, no final da comissão, com dizeres como "Devo-te a vida", escritos com balas.

QUALIDADES E DEFEITOS 

Ter a mesma arma a equipar o Exército ao longo de meio século, apenas com algumas adaptações, é uma situação rara num país fundador da NATO – estatuto que não impediu que os EUA de John Fitzgerald Kennedy tivessem impedido a venda de armas ao regime de Salazar –, mas a explicação é muito simples. "A partir de certa altura havia armas melhores do que a G3, em peso e em cadência de tiro, e vários países começaram a comprá-las. Nós não comprámos e sabe-se muito bem porquê. Tivemos dificuldades financeiras e foi considerado que havia outras prioridades", explica Loureiro dos Santos.

Mesmo a anunciada substituição da G3 é vista como insuficiente pelo general na reserva. Defendendo que "não devemos comprar um número de armas exactamente igual ao número de militares que temos nas nossas fileiras" e salientando que é necessário acautelar "ameaças mais perigosas" à segurança de Portugal, Loureiro dos Santos considera que seriam necessárias 50 a 60 mil novas espingardas automáticas, englobando os efectivos da Força Aérea e da Marinha. 

Por seu lado, Carlos Matos Gomes realça que mesmo nos tempos da Guerra Colonial a G3 já era desajustada para algumas operações. "Era muito comprida e relativamente pesada, pelo que era difícil utilizá-la dentro dos helicópteros ou nos espaços mais confinados, como quando começaram a aparecer as Chaimites."

No outro prato da balança, o co autor de ‘Os Anos da Guerra Colonial’ destaca a simplicidade da espingarda automática criada por engenheiros de armamento alemães que foram trabalhar para Espanha após o fim da II Guerra Mundial. "A G3 era uma arma muito simples de montar e de desmontar. Os militares habituaram-se a ela, e utilizavam-na com muita eficácia", garante, apesar de "perder claramente, em termos de maleabilidade, de peso e até de fiabilidade, para a arma dos movimentos de libertação".

A metralhadora Kalashnikov, de fabrico soviético, era mais leve, menos sujeita a avarias e mais curta. "Nas forças especiais, sempre que podíamos, usávamos as Kalashnikov que apanhávamos aos guerrilheiros", admite Carlos Matos Gomes. Loureiro dos Santos acrescenta uma qualidade da G3 em relação à ‘concorrência’: a capacidade de derrube, pois as rajadas tinham um efeito muito mais letal.

E Carlos Matos Gomes recorda soldados que "faziam malabarismo com uma só mão, mesmo sendo uma arma muito comprida". Histórias de cinco décadas em que os portugueses tiveram nas mãos uma arma cujo ‘G’ vem de ‘Gewehr’, que é "espingarda" em alemão. (CM)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

EUA vão vender drones armados aos seus aliados

Os Estados Unidos vão autorizar pela primeira vez a exportação de drones armados para alguns países aliados no quadro da luta mundial ao terrorismo.

“Esta nova política estabelece as regras para a venda, transferência e utilização internacional de sistemas aeronáuticos militares sem piloto de origem americana”, anunciou o Departamento de Estado num relatório divulgado na terça-feira.

A diplomacia americana sublinha que os EUA são “os líderes tecnológicos mundiais em matéria de desenvolvimento e utilização” dos drones militares. “Há outros países que estão a começar a utilizar drones militares de modo mais regular e este mercado está a desenvolver-se cada vez mais”, refere o documento do Departamento de Estado.

É neste contexto que os EUA dizem ter “a responsabilidade de garantir as vendas, transferências e utilização internacional dos drones militares de origem americana, tendo sempre presente os interesses da sua segurança nacional e da sua política externa”.

A exportação para o estrangeiro de “sistemas sensíveis será feita através de um programa de vendas de equipamentos militares de governo para governo”, explica o Departamento de Estado, sem referir nenhum país como potencial cliente.

O jornal Washington Post, que noticiou em primeira mão esta mudança na política de vendas militares dos EUA, refere que países aliados como a Itália, a Turquia e as monarquias do Golfo estão muito interessados em negociar com Washington.

Segundo um responsável americano citado sob anonimato pelo Washington Post, os EUA já venderam drones armados ao seu mais próximo aliado, o Reino Unido. Aparelhos deste tipo mas não armados, que servem para operações de vigilância e recolha de informação, já foram vendidos a aliados da Aliança Atlântica, como a França e Itália.

A utilização de drones armados constitui uma pedra angular na luta contra o terrorismo delineada pelo governo de Barack Obama, nomeadamente em operações realizadas no Afeganistão, Paquistão, Somália, Síria, Iraque e Iémen. (Público)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Força Aérea britânica interceta bombardeiros russos perto da Cornualha

Segundo o ministério britânico, os Typhoon da RAF, que operavam sob comando da NATO, escoltaram os dois Tu-95 "Bears" russos até que estes se afastaram "da zona de interesse do Reino Unido", apesar de - em nenhum momento -terem chegado a penetrar "no espaço aéreo soberano britânico".

Em comunicado, o ministério britânico explica que os aviões foram enviados como parte da operação de reacção rápida perante a proximidade dos aparelhos russos, mas esclarece que "em nenhum momento foi considerado que os aviões russos apresentassem uma ameaça".

Este é já o segundo incidente com bombardeiros enviados pela Rússia em menos de um mês, depois de, a 28 de Janeiro, terem sido interceptados outros dois "Bears" nas proximidades do espaço aéreo britânico, perto do canal da Mancha.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido pediu entretanto explicações ao embaixador da Rússia em Londres, Alexander Yakovenko.

Segundo a NATO, as incursões de aviões russos aumentaram especialmente desde o aumento das tensões com a Rússia face à crise na Ucrânia. O ministro da Defesa do Reino Unido, Michael Fallon, assegurou, em declarações divulgadas hoje pelos meios de comunicação, que vê "um perigo real e iminente" que a Rússia desestabilize também os Estados bálticos da Letónia, Lituânia e Estónia. Por sua vez, o primeiro-ministro, David Cameron, advertiu ontem que a Rússia sofrerá "durante anos" as consequências das sanções económicas e financeiras se continuar a favorecer a instabilidade na Ucrânia. (SIC)

BA 11 vai receber o exercício Real Thaw 2015

Tem início em Beja, na Base Aérea n.º11 (BA 11) já na próxima segunda-feira, dia 23, prolongando-se até 6 de Março, o exercício anual táctico da Força Aérea Portuguesa (FAP), o chamado Real Thaw 2015 (RT15). Segundo comunicado da FAP, o RT15 tem como principal objectivo “avaliar e certificar a capacidade operacional da Força Aérea, garantido desta forma que as forças participantes estão prontas a cumprir as missões que lhes estão atribuídas na defesa dos interesses nacionais e das alianças internacionais de que o País faz parte”. Nesta sétima edição do Real Thaw, para além da Força Aérea Portuguesa, da Marinha e do Exército, participarão, a nível internacional, forças da Dinamarca, de Espanha, da Holanda, dos Estados Unidos da América e da NATO, “num total de 3000 militares e 40 aeronaves”, adianta a FAP. Para o cumprimento dos objectivos RT15, “estão planeadas missões aéreas e terrestres, que decorrerão nos distritos de Viseu, Guarda, Coimbra, castelo Branco, Portalegre, Setúbal e Beja”, conclui. (DA)

Só 28% dos portugueses lutaria pelo país em caso de guerra ?

A Win Gallup fez esta pergunta "Se houvesse uma guerra que envolvesse o seu país, estaria disposto a lutar pelo seu país?" em 63 países. Em média, 60% diz que sim. Em Portugal apenas 28% respondeu afirmativamente.

Segundo uma informação da Marktest, associada da Win Gallup, em termos globais, «60% dos inquiridos respondeu afirmativamente a esta questão, 27% negativamente e 12% não soube ou não quis responder à pergunta colocada».

Portugal está entre os 13 países onde é menor a percentagem dos que respondem afirmativamente à questão colocada, «com 28% a referir que lutariam pelo país em caso de guerra, 47% a indicar que não o fariam e 24% a não responder à questão».

A Marktest avisa que os resultados têm «no entanto diferenças muito significativas entre os vários países em análise». Em países como as Fiji, Marrocos, Paquistão, Vietname ou Bangladesh mais de 85% dos residentes responderam afirmativamente à pergunta.

Na base da lista encontramos o Japão, onde apenas 11% dos inquiridos estariam dispostos a lutar pelo seu país em caso de guerra (43% não lutaria e 47% não sabe ou não responde), assim como Holanda (15% lutaria), Alemanha (18%), Bélgica (19%) e Itália (20%). O mapa representa as respostas positivas à questão em análise: «O estudo da Win Gallup foi realizado entre Outubro e Novembro de 2014, junto de uma amostra de 64 909 entrevistados, residentes em 65 países de todas as regiões do Mundo. Em Portugal, a Marktest foi a responsável pela recolha de informação, que consistiu num estudo online junto de uma amostra de 1000 indivíduos com 18 e mais anos» (MSN)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Força Aérea com oito helicópteros EH-101 Merlin parados por falta de manutenção

A Força Aérea Portuguesa tem a maior parte da sua frota de helicópteros Merlin EH-101 parada por um atraso do fornecedor, a empresa francesa Turbomeca, na manutenção dos motores, disseram à Lusa fontes parlamentares.

De acordo com as mesmas fontes, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), general José Araújo Pinheiro, disse esta manhã aos deputados numa audição à porta fechada na Comissão de Defesa que neste momento estão a operar apenas quatro dos doze helicópteros comprados em 2001 à Agusta Westland.

O CEMFA precisou que o ramo pagou à empresa francesa a totalidade dos custos do processo de manutenção, mas que esta já ultrapassou há várias semanas o prazo para entregar os motores.

Uma das fontes referiu que apesar da "pressão" da Força Aérea e das reuniões que já tiveram lugar para tentar resolver o assunto, a Turbomeca não estará a conseguir responder às encomendas, existindo atrasos com outros clientes. (I)

Exército ucraniano retira tropas de Debaltseve

O exército ucraniano está a retirar algumas das suas tropas que se encontram cercadas em Debaltseve, após uma ofensiva dos rebeldes pró-russos naquela cidade estratégica do leste da Ucrânia, disse um alto funcionário ucraniano.

«A libertação dos nossos militares está em curso, sendo que estão parcialmente fora do cerco», disse Ilia Kive, chefe adjunto da polícia regional ucraniana, citado pela agência de notícias francesa France Presse.

«A retirada de forças de Debaltseve está a correr de forma planeada e organizada», afirmou o deputado Semen Semenchenko, acrescentando que «o inimigo está a tentar cortar as estradas e evitar a saída das tropas».

Outros pequenos grupos de tropas ucranianas dirigiram-se para o norte de Debaltseve. De acordo com uma testemunha à Reuters, algumas colunas e carros começaram a chegar a Artemivsk ao início da manhã.

«Alguns chegaram sozinhos, outros em colunas e outros em carros. Pareciam muito cansados e as caras estavam sujas da guerra», afirmou o fotógrafo da agência, Gleb Garanich.

De acordo com Ilya Kiva, vice-chefe da polícia regional, os ucranianos não abandonaram a cidade, continuando os combates na rua com «uma batalha de tanques».

No entanto, fonte policial no leste da Ucrânia revelou que a guerra continua em Debaltseve.

«Em Debaltseve os confrontos directos continuam a acontecer. Mas está a ser feito tudo para desbloquear as nossas forças», afirmou Ilya Kiva. (tvi24)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

COMANDANTE MILITAR VISITA CAMPO PORTUGUÊS NO KOSOVO

O Comandante da Força Multinacional do Kosovo (acrónimo em inglês COMKFOR), Major General Francesco Paolo FIGLIUOLO, realizou uma visita oficial à KFOR TACTICAL RESERVE MANOEUVRE BATTALION (KTM) no campo militar português Slim Lines, Pristina, no dia 13 de fevereiro de 2015.

No início da visita, após receber as devidas honras militares a cargo da companhia portuguesa BCoy, o COMKFOR reuniu-se com o Comandante da KTM, Tenente-coronel José Manuel Tavares das Neves, tendo assistido a um brifingue sobre as capacidades operacionais da Força no Kosovo que constitui a Reserva Táctica do Comandante da Força multinacional do Kosovo (KTM/ COMKFOR).

De seguida, o COMKFOR dirigiu-se aos militares dos contingentes português e húngaro da KTM, reconhecendo e agradecendo publicamente o trabalho efectuado e elogiando a prontidão e a flexibilidade da reserva táctica, expressando por último o orgulho em poder ter a KTM sob o seu comando.

No final da visita, o Major General Francesco Paolo FIGLIUOLO, reforçou a importância da reserva táctica, tendo apontado a KTM como uma unidade onde existe "Example", "Endeavor" e "Entrust" dentro da Força do Kosovo (KFOR), contribuindo para o cumprimento dos objectivos desta força internacional no Kosovo, sob a égide da NATO. (EMGFA)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A secretária de Estado da Defesa acusou militares de pararem no "tempo"

A secretária de Estado da Defesa acusou segunda-feira alguns militares de pararem "no tempo", recusando as críticas da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) às alterações aos regimes específicos de assistência na doença dos seus familiares. 

"É uma situação que se arrasta há muito tempo e que agora se encontra resolvida. Os militares pararam um pouco no tempo, eles ainda estão em 2005, gostariam que os subsistemas fossem gratuitos. Mas eles já não são gratuitos desde 2005, não é de agora", disse a secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, Berta Cabral, em declarações à Lusa. Durante a manhã, a AOFA acusou o Governo de estar "em guerra" com os militares, lamentando que "para além do desconto de 3,5%" para os subsistemas ADM [Forças Armadas e GNR] e SAD [PSP], haja agora "mais um desconto suportado por um estranhíssimo algoritmo (3,5% sobre 79% da remuneração base do militar) que mais não é do que um expediente para extorquir uma fatia mais do já parco rendimento dos militares". 

O comunicado surge na sequência da aprovação na quinta-feira em Conselho de Ministro da possibilidade de "cônjuges ou unidos de facto dos beneficiários, titulares dos subsistemas ADM [Forças Armadas e GNR] e SAD [PSP]" se inscreverem "nesses mesmos subsistemas, mediante o pagamento de uma contribuição". (C.M)

Moçambique recebe simpósio das marinhas da CPLP

Moçambique acolhe a partir de segunda-feira o quarto simpósio das Marinhas de Guerra da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), um evento de quatro dias que terá lugar na cidade de Maputo.

Um comunicado de imprensa do Ministério da Defesa Nacional citado pela agência AIM refere que o simpósio tem como objectivo promover o diálogo, incrementar a cooperação e partilhar experiências organizacionais entre as marinhas da CPLP, estreitando os laços de amizade que as ligam.

Integram a CPLP nove países, nomeadamente Moçambique, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Custódio Massingue, do gabinete de imprensa da Marinha de Guerra moçambicana, disse à AIM que a maioria das delegações deverá chegar no domingo.

"Hoje está prevista a chegada de Timor-Leste. O resto espera-se que chegue a qualquer momento amanhã (domingo) ", disse Massingue.

O vice-ministro moçambicano da Defesa, Patrício José, vai presidir a sessão de abertura, durante a qual deverá abordar o tema sobre a Importância do Mar para o Desenvolvimento dos Países da CPLP que, também é lema do simpósio.

Os eventos anteriores tiveram lugar em Portugal (2008), sob o lema " o papel das Marinhas no actual contexto internacional; Angola (2010), "As Marinhas e os desafios do século XXI"; e no Brasil (2012), "Garantia da defesa e segurança marítima, em âmbito nacional, regional e global. A cooperação entre as marinhas para o monitoramento e controle do tráfego marítimo nas águas jurisdicionais dos países". (Portugal Digital)

Substituição da velha G3 vai custar 41 milhões de euros.

A substituição da velha G3 vai custar 41 milhões de euros. Com esta verba, o Ministério da Defesa deverá lançar ainda este ano o concurso internacional para a compra de 10 225 espingardas para o Exército. Cada arma custará mais de quatro mil euros. 

A despesa com a aquisição das novas G3 está orçamentada na Lei de Programação Militar (LPM), que foi aprovada na semana passada na Assembleia da República. Segundo o Ministério da Defesa, os encargos com a aquisição da substituta da G3 são repartidos entre 2015 e 2026: de acordo com o plano definido pelo ministério de José Pedro Aguiar Branco, da despesa total de 41 milhões de euros, 26 milhões serão gastos entre 2023 e 2026. 

O número de espingardas que será agora adquirido para substituir a velha G3 é muito inferior ao que foi previsto na anterior LPM, que vigora desde 2005. Nessa LPM, previa-se a aquisição de 40 mil espingardas substitutas da velha G3, com uma despesa máxima de 77,9 milhões de euros. Para a redução do número de novas espingardas para substituir a velha G3, terá contribuído a limitação da entrega dessa arma automática ao Exército, deixando de fora a Marinha e a Força Aérea. (CM)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

CEMGFA visita BA5 e condecora militares da Força Aérea

O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), General Pina Monteiro, efetuou no dia 12 de Fevereiro de 2015 uma visita à Base Aérea n.º 5.

Após a visita, o CEMGFA presidiu à Cerimónia de Imposição de Condecorações a militares que integraram as Forças Nacionais Destacadas (FND) no Mali e nos países bálticos. O Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General José António de Magalhães Araújo Pinheiro também esteve presente, acompanhado de outras entidades.

As medalhas entregues, Serviços Distintos e Cruz de São Jorge, destinaram-se a distinguir militares que contribuíram especialmente para a eficiência, prestígio e cumprimento da missão do Estado Maior General das Forças Armadas.

A missão Baltics Air Policing 2014 (BAP14) constituiu-se como uma FND de quatro a seis aeronaves F-16 em que Portugal assumiu o papel de lead nation para o policiamento aéreo nos países bálticos, no âmbito da NATO, entre Agosto de 2014 e Janeiro de 2015.

Já a missão Immediate Assurance Measures 2014, integrada no BAP14, traduziu-se no destacamento de um avião P-3C na Lituânia, com a missão de detectar, seguir e identificar alvos de interesse em apoio a unidades navais e/ou aéreas cooperantes.

A FND no Mali foi empregue na operação de manutenção de paz MINUSMA. Insere-se no quadro dos compromissos internacionais assumidos por Portugal, contribuindo para o cumprimento do mandato da ONU na República do Mali. O período de operação realizou-se entre 01 de Setembro e 30 de Novembro de 2014. (FAP)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Equipamento militar das forças ucranianas é desadequado

O equipamento das forças ucranianas é desadequado ao conflito com os separatistas pró-russos e é deficitário em blindados e artilharia, segundo um estudo publicado hoje pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) de Londres.

Por outro lado, segundo um especialista deste 'think tank' britânico, qualquer tentativa de fornecer equipamento militar à Ucrânia seria rapidamente ultrapassada por um reforço da entrega de armamento russo aos separatistas.

O exército ucraniano é demasiado dependente de material da era soviética, que devia "ser melhorado", ou mesmo substituído, afirma o instituto no seu relatório anual sobre o equilíbrio de forças militares no mundo, apresentado hoje em Londres.

Apenas uma "pequena proporção" das forças terrestres e aéreas está "preparada para combate".

As forças de Kiev precisam de novos equipamentos, desde "veículos reforçados contra minas" a "mísseis de precisão", acrescenta-se no relatório.

Mas, modernizar o exército ucraniano, em pleno conflito, enfrentaria dificuldades, como sublinhou um especialista do IISS, Ben Barry, em conferência de imprensa: "Seria como tentar modificar um automóvel em andamento".

Os Estados Unidos, que nos últimos dias admitiram a possibilidade de fornecer armas à Ucrânia, podem proceder "com relativa rapidez" a entregas de armas, mas "a questão é saber se as forças ucranianas seriam capazes de as utilizar adequadamente com rapidez suficiente", explicou.

Por outro lado, em termos políticos, o anúncio de entregas de armas a Kiev poderia "desencadear uma escalada com a Rússia", que assumiria o fornecimento de armas aos separatistas e que "as pode introduzir muito mais rapidamente do que os Estados Unidos", disse.

No relatório apontam-se como grandes desafios do exército ucraniano a gestão dos batalhões de voluntários e "as tácticas e doutrinas prevalecentes nos anos 1990, herdadas da era soviética, que são globalmente desadequadas ao actual conflito em zonas urbanas". (NM)

Os americanos e a base das Lajes

Curiosamente, não vemos ninguém preocupado com a exiguidade (sempre a diminuir…), de meios militares portugueses no(s) arquipélago(s) e na necessidade urgente de inverter a situação.

A operação das forças militares americanas na base aérea das Lajes há muito que merecia um livro.

Muito resumidamente, foi assim:

A apetência dos EUA pelos Açores (e Cabo Verde) recua à Guerra Hispano-Americana, de 1898, que marca o início do imperialismoyankee fora do continente americano, o que nunca mais parou até hoje.

Prolongou-se na I Guerra Mundial, com a ameaça submarina alemã e a visita do futuro Presidente Roosevelt (na altura subsecretário de Estado da Marinha), em 1918, e firmou-se na II Guerra Mundial, por causa da ameaça naval alemã – podia ter sido aero-naval, caso a Alemanha tivesse intentado e conseguido ocupar aquele arquipélago e também o da Madeira.

Mas quem, de facto, pensou ocupar os Açores – considerados como uma fronteira avançada de defesa da América – foram os próprios americanos, que chegaram a preparar uma invasão e ocupação do território, em Jul/Ago de 1941 (Operação Life Buey, comandada pelo brig. gen. Holland Smith).

Acontece que o Governo Português da altura – estrénuo defensor dos interesses portugueses – tinha reforçado os Açores com 25.000 homens e alguns meios aéreos e navais, dispondo-se a garantir a neutralidade proclamada, mesmo com o uso da força. Os americanos fizeram um cálculo do risco e das baixas e hesitaram.


Mais experientes do que os seus amigos do outro lado do Atlântico, a diplomacia inglesa, valendo-se do especial relacionamento que tem connosco, desde 1373, veio tentar acalmar os ânimos e negociar uma solução adequada, até porque o Governo português, num gesto habilíssimo, ameaçou invocar a Velha Aliança em caso de ataque americano…

Destas negociações que foram duras e demoradas resultou a ida dos ingleses para as Lajes e, mais tarde, a dos americanos para Santa Maria, com a condição de no fim da guerra saírem, deixarem-nos todas as instalações, garantirem a soberania portuguesa em todos os territórios ultramarinos e, ainda, a garantia que Timor-Leste – ocupado pelos japoneses – voltaria para Portugal e que forças portuguesas participariam na libertação do território. Tudo foi cumprido.

Em 1948 (ano anterior ao estabelecimento da OTAN) os EUA solicitaram facilidades de operação na Base Aérea n.º 4, nas Lajes, o que foi concedido, até hoje. A base das Lajes pertence à Força Aérea Portuguesa.

Deste modo estabeleceu-se um destacamento da Marinha dos EUA – que operavam os aviões – outro da USAF – que operavam os meios de apoio terrestre – e do Exército Americano , que operavam as lanchas e equipamento portuário…

E como o Governo de Lisboa, da altura, não brincava em serviço e não deixava que estrangeiros nos ditassem leis, logo acordou com Washington um conjunto de condições que, além de não comprometerem minimamente a soberania nacional, tornavam os EUA completamente devedores de Portugal, pois não pagavam um dólar por lá estarem. Tal facto devia-se a que a lógica política de então defendia, por ex., que nenhum pedaço de território nacional podia ser alugado…

Foi criado um Comando Aéreo Português, cujo comandante seria sempre mais antigo do que o oficial americano mais graduado e, até, a bandeira americana não estava autorizada (creio que ainda não está) a tocar o solo pátrio, ficando, simbolicamente, assente num bloco de pedra para o efeito concebido.

Marcello Caetano, que sucedeu a Salazar na chefia do Governo, mudou a postura portuguesa para com os EUA, relativamente às Lajes, negociando contrapartidas materiais pela presença americana, o que se podia consubstanciar em ajuda económica directa ao arquipélago, melhoria das condições dos trabalhadores portugueses e, sobretudo, em armamento e equipamento militar, de que as Forças Armadas Portuguesas estavam muito carenciadas devido aos conflitos ultramarinos iniciados em 1961.

Esta nova política acabou por não dar grandes frutos, sofrendo Portugal uma espécie de “ultimato” encapotado, relativamente ao uso indiscriminado da base, no socorro que Washington prestou a Israel na Guerra do Yom Kipur, em 1973.

A importância dos Açores nunca diminuiu para os EUA durante toda a Guerra Fria, por causa do eventual reforço rápido da Europa, da ameaça submarina soviética, além de ser ponto de apoio importante para aviões em rota para o Médio Oriente.

Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a evolução geopolítica daí decorrente, a melhoria dos armamentos e, ultimamente, a mudança de prioridades de Washington para o Pacífico, a importância conjuntural da base das Lajes perdeu valor relativo para os americanos. Daí a natural mudança do seu dispositivo.

Por isso é lógico que queiram reduzir a sua presença nas Lajes (em 485 pessoas), mas, estamos em crer, jamais a Secretaria de Estado da Defesa dos EUA quererá sair de lá de vez… É claro que esta redução vai constituir um duro golpe na economia da ilha Terceira e levar ao desemprego estimado de 500 trabalhadores portugueses, cujo vínculo se procurava articular com as leis de trabalho nacionais. Mas temos que perceber que os americanos não estão lá pelos nossos lindos olhos e tratam de defender os seus interesses e não os alheios.

Os Açores já tinham sofrido um duro golpe aquando da saída dos franceses da base de rastreio de mísseis, que montaram na ilha das Flores, em 1993, sem que tivesse ocorrido o alarido de agora [1]. Pacífica e gradual foi, também, a saída dos alemães da base de Beja, em 1993. [2]

Por tudo isto não se entende o actual “histerismo” de políticos e sobretudo do Governo Regional dos Açores, à volta deste assunto, revelando uma grande falta de sentido de Estado e em nada contribuindo para um bom desfecho do que está em curso e para as futuras relações com os EUA.

A ameaça velada e pública, sobre a possibilidade da China (ou outros) poder vir a operar no Arquipélago é, a todos os títulos, deplorável. Há coisas que se tratam na circunspecção das chancelarias e não no ruído e demagogia da rua.

Um contrato é um vínculo de interesses comuns, entre duas ou mais partes. Se uma das partes se quiser desvincular, só tem que o fazer negociando tal desiderato em função do que estiver vertido no acordo. Além do mais, este é um assunto de Defesa e Segurança nacionais, tratado Estado a Estado e, por isso, o governo regional deve remeter-se apenas para as suas funções constitucionais. [3]

Nós podemos, eventualmente, gostar mais ou menos da presença americana nas Lajes, mas a decisão da sua diminuição ultrapassa-nos. A não ser que fôssemos nós a querer impor essa redução.

Pode (e eventualmente deve) Lisboa mostrar as suas preocupações; oferecer a sua hospitalidade; apresentar outras propostas de relacionamento bilateral, etc., mas não pode exigir nada relativamente à presença americana na base, a não ser o que está estritamente acordado para o efeito, e ficar com as decisões ora tomadas, em carteira. A algaraviada de exigências propaladas pelos media não passam de ruído ineficaz, apenas explicáveis pela eterna luta partidária.

Temos que estar atentos ao comportamento do FMI e do Banco Mundial, onde os EUA pontificam, cuidar da nossa comunidade emigrante naquele país e ter especial cuidado com a atitude que os americanos irão assumir, na ONU, face à proposta de alargamento da Plataforma Continental, apresentada por Portugal. E, curiosamente, não vemos ninguém preocupado com a exiguidade (sempre a diminuir…), de meios militares portugueses no(s) arquipélago(s) e na necessidade urgente de inverter a situação.

Requerem-se bom senso e clarividência política e estratégica. Uma coisa – além do “saber” – anda, aliás, ligada à outra.


[1] O anúncio da constituição da base foi feito pelo ministro dos NE Franco Nogueira, em 1964, tendo o acordo sido assinado, em 7 de Abril daquele ano, e as suas instalações inauguradas em Outubro de 1966.

[2] O acordo para a utilização da base de Beja (construída de raiz) ocorreu em Dezembro de 1960, mas o primeiro contingente de militares alemães só chegou em 8/8/1966.

[3] A existência de ministros da República, assembleias regionais e governos regionais não encontra qualquer razão de existência, a não ser como mitigação para as loucuras do PREC e, sobretudo, na quantidade de tachos políticos que proporciona – uma despesa enorme sem praticamente qualquer retorno útil. Uma realidade muito difícil de modificar no futuro… Não contentes com isto, forças políticas voltaram recentemente a defender a necessidade de “regionalização”, ideia absolutamente idiota, bacoca e de lesa-Pátria!

JOÃO J. BRANDÃO FERREIRA

Exército vai substituir 11 mil metralhadoras G-3 e adquirir 194 viaturas

O Exército Português vai adquirir nos próximos anos 194 viaturas tácticas ligeiras (4x4) e iniciar a renovação da arma ligeira a partir de 2017, substituindo cerca de 11 mil metralhadoras G-3.

Segundo fontes parlamentares, na audição à porta fechada desta manhã no parlamento, o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) disse que o ramo ainda tem a receber cerca de 20 viaturas blindadas de oito rodas Pandur, de um total de duzentas.

A renegociação levada a cabo pelo Ministério da Defesa com o fabricante austríaco Steyr reduziu a aquisição de Pandur de 260 para 200, tendo sido eliminadas deste pacote as quarenta viaturas anfíbias previstas para a Marinha.

O comandante do Exército revelou também que no âmbito da Lei de Programação Militar (LPM) deverão ser compradas quase duas centenas (194) viaturas tácticas ligeiras, uma lacuna há muito identificada pelo ramo, principalmente em teatros de operações.

Na missão militar no Afeganistão, Portugal recorreu por diversas vezes a acordos de empréstimo de viaturas 4x4 a países como os Estados Unidos da América ou a Espanha.

Na audição na Assembleia da República, o CEME referiu que a renovação da histórica metralhadora G-3, arma utilizada pelas Forças Armadas portuguesas desde a década de 1960, deverá começar em 2017, com a substituição de cerca de 11 mil unidades. (JN)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Marinha tentou acordo com Exército e Força Aérea para comprar o navio "Siroco"

As mesmas fontes adiantaram que a questão terá sido colocada ao nível das chefias militares no final do ano passado, pouco antes da proposta de LPM ser enviada para o parlamento, mas que tanto o Exército como a Força Aérea recusaram, alegando que os seus programas de reequipamento estavam fechados.

O interesse português no "Siroco" terá surgido durante os últimos meses de 2014, quando já ia avançada a elaboração da LPM, não tendo sido possível incluir a aquisição desta capacidade.

Uma fonte parlamentar referiu à Lusa que terão sido inclusivamente feitas diligências para um "acordo interministerial" [que incluísse Administração Interna e Saúde, além da Defesa] para a compra do "Sirocco", já que este navio polivalente logístico (NPL) tem capacidade para ser utilizado em apoio à Protecção Civil ou em situações de catástrofes naturais.

Durante uma audição à porta fechada na comissão parlamentar de Defesa, na terça-feira, a aquisição do NPL francês, também desejado por Brasil e Chile, foi discutida pelos deputados com o Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), almirante Macieira Fragoso, que terá admitido que os 50 milhões de euros previstos para a modernização das fragatas poderão ser canalizados para este equipamento, avaliado em 80 milhões.

No final da audição, o chefe da Marinha disse à Lusa que a compra do NPL está em "fase final de decisão" pelo Governo e que esta é uma prioridade transversal às Forças Armadas.

"Esta é uma capacidade que está em falta no sistema de forças já há muito, mas não tem sido possível ao Estado português encontrar o financiamento para adquirir um navio dessa envergadura e agora esta pode ser uma boa oportunidade para completar essa falha", declarou.

Questionado sobre se a compra pode vir a ser financiada conjuntamente pelos três ramos, Luís Macieira Fragoso respondeu: "Pois. Não será, mas é um navio que terá emprego conjunto".

"É um navio que interessa ao sistema de forças da Marinha, é um navio de projecção de forças para assalto anfíbio, por exemplo, mas é um navio também que tem muitas capacidades para permitir que meios dos outros ramos sejam projectáveis noutros locais, também para transporte logístico, sem natureza puramente militar", acrescentou. (NM)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Compra de navio polivalente pode adiar modernização de fragatas

A eventual aquisição do navio polivalente logístico (NPL) "Siroco" à França vai obrigar a um "reajustamento da modernização" das fragatas da classe Vasco da Gama e Bartolomeu Dias, disse à Lusa o porta-voz da Marinha.

Na semana passada, o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, adiantou no parlamento que a Marinha Portuguesa está a fazer "uma avaliação concreta e séria" sobre a compra deste NPL, que poderá custar cerca de 80 milhões de euros.

Questionado pela agência Lusa, o porta-voz da Armada, comandante Paulo Vicente, adiantou que o NPL francês, também desejado pelo Brasil, esteve aportado em Lisboa entre 01 e 03 de Fevereiro e foi visitado pelos chefes dos três ramos e pelo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA).

O porta-voz da Marinha referiu que esta é uma capacidade identificada como necessária desde 1996 e que o navio francês "não sendo novo, é relativamente novo" e permitiria "uma maior autonomia e independência" dos militares portugueses face a outros meios e outros países, além de uma "interacção" entre os ramos.

A eventual aquisição do "Siroco" para a Armada obrigará no entanto "ao reajustamento de outros programas", nomeadamente a modernização das fragatas da classe Vasco da Gama e Bartolomeu Dias, afirmou, sublinhando que essa decisão está colocada "a nível político [Ministério da Defesa]".

A renovação das fragatas é um dos programas previstos na nova Lei de Programação Militar, que está em discussão no parlamento.

Entre as principais funções do NPL estão a resposta a "situações de catástrofe e de calamidade, evacuar cidadãos ou prestar assistência em crises humanitárias", referiu o comandante Paulo Vicente.

Questionada pela Lusa, fonte oficial do Ministério da Defesa remeteu para as declarações de Aguiar-Branco da semana passada, afirmando que está a ser feita "uma ponderação a nível político e militar" relativamente à compra do "Siroco".

A mesma fonte adiantou que o tema já foi discutido em Conselho de Chefes [dos três ramos das Forças Armadas] e que "houve contactos iniciais" entre as Marinhas dos dois países, mas não existe "qualquer processo negocial".

Num artigo publicado em 2009 na Revista de Marinha, o NPL é descrito como "um navio para transporte de lanchas de desembarque", com "um grande convés de voo para operar vários tipos de helicópteros" e que pode transportar um batalhão de militares, além de "várias dezenas de viaturas de todos os tipos, incluindo carros de combate".

"Para além da sua capacidade para lançar um assalto anfíbio, o seu hospital dá apoio médico e cirúrgico, o que é da maior utilidade em situações de catástrofe natural, de ajuda humanitária e de evacuação. A sua capacidade de transporte permite levar socorro e evacuar populações. Estas capacidades e versatilidade sempre foram consideradas uma necessidade para Portugal, país arquipelágico onde no passado ocorreram, e podem continuar a ocorrer, fenómenos de origem tectónica e vulcânica", pode ler-se. (DN:M)

Forças e serviços de segurança pedem audiência ao Presidente da República

Em Janeiro, o ministro da Defesa, Aguiar Branco, exonerou o comandante da Polícia Marítima, vice-almirante Cunha Lopes, após pedido do Chefe do Estado da Armada

A Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança pediu hoje uma audiência ao Presidente da República devido à necessidade do reforço orçamental para as polícias.

Em comunicado, a CCP, que congrega os sindicatos mais representativos da GNR, PSP, ASAE, SEF, Guarda Prisional e Polícia Marítima, refere que os orçamentos para as diversas forças e serviços de segurança “podem colocar em causa o seu normal funcionamento com consequências graves para o país”

A estrutura, liderada actualmente pelo presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, sublinha que os vários alertas sobre a necessidade de reforço orçamental “nunca foram ouvidos”.

“Dado o actual momento que se vive na Europa, com a ameaça terrorista, que levou a várias reuniões ao mais alto nível dos responsáveis pela segurança europeia e nacional, bem como o discurso da prevenção, deverão ser os motes para reforçar a política orçamental das forças e serviços de segurança”, refere a nota da CPP.

Para esta estrutura, “a necessidade do reforço orçamental e de uma política sustentada na área da segurança interna” têm de ser uma realidade para “garantir a eficiência e evitar derivas securitárias”

A CPP sublinha também que, nos últimos tempos, o Governo tem realizado várias iniciativas para introduzir alterações legislativas para combater a criminalidade mais grave e de melhorar a comunicação entre as diversas instituições.

Porém, a CCP considera que o Estado continua “a confundir defesa nacional com segurança interna, subsistindo algumas questões pouco claras, como sucedeu recentemente com a Polícia Marítima, criando constrangimentos internos de diversa ordem”.

Em Janeiro, o ministro da Defesa, Aguiar Branco, exonerou o comandante da Polícia Marítima, vice-almirante Cunha Lopes, após pedido do Chefe do Estado da Armada.

“Por tudo isto, e tendo em conta a delicadeza do assunto, a CCP deliberou solicitar uma audiência ao Presidente da República, Cavaco Silva, para apresentar estas questões, que não podem continuar a ser adiadas sem respostas claras e objectivas”, refere ainda a estrutura.

A CCP é constituída pela Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), Associação Sócio-profissional da Polícia Marítima (ASPPM), Sindicato Nacional dos Guardas Prisionais (SNGP), Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF-SEF) e Associação Sindical dos Funcionais da ASAE. (I)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Empordef tem 11 interessados

A Empordef Tecnologias de Informação (ETI), empresa de tecnologia da indústria da Defesa que está em processo de privatização, conta já com 11 interessados, disse ao Diário Económico fonte oficial do ministério da Defesa Nacional.

A tutela recebeu manifestações de interesse de entidades nacionais e internacionais que têm agora até ao final do mês para formalizar a candidatura. Os 11 interessados só se tornarão efectivamente candidatos quando apresentarem uma proposta, explicou a mesma fonte.

O processo de privatização da ETI foi lançado no final do ano, com os potenciais compradores a ter de manifestar o seu interesse até 8 de Dezembro. O objectivo é que o processo esteja concluído no início de Abril, segundo o calendário definido na altura pela tutela. 

Não foram revelados os nomes dos potenciais compradores, mas empresas como a Critical Software ou a Novabase já admitiram que poderiam olhar para o processo.

A privatização da ETI faz parte do plano do Governo de alienar as empresas da Defesa e extinguir a Empordef, ‘holding' que agrega estas entidades. A ‘holding' já está, aliás, em processo de extinção.

A excepção deverá ser o Arsenal do Alfeite que, pela sua especificidade, ainda não tem solução concreta. A Defesa encomendou um estudo a Augusto Mateus, para definir o futuro dos estaleiros da Marinha mas este ainda não está concluído.

No âmbito desta reestruturação das indústrias da Defesa foi criada a IDD, que funciona como a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) deste sector, agregando as empresas e estabelecendo contactos a nível internacional.

A venda da ETI esteve prevista para o início de 2014, mas acabou por ser adiada para o final do ano. Na altura, o ministro da Defesa justificou o atraso com o facto da tutela estar focada em encontrar soluções para os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), cujos terrenos foram subconcessionados à Martifer devido a um processo de Bruxelas sobre alegadas ajudas de Estado e que obrigaram ao encerramento da empresa e despedimento de todos os trabalhadores.

Foi, aliás, a subconcessão dos terrenos dos ENVC que levou a tutela a decidir a liquidação da Empordef. Aguiar-Branco defendeu, na altura, que o objectivo da ‘holding' já não fazia sentido e que as participações da Defesa em empresas, como os 35% que detém na OGMA, poderiam ser transferidas para outras tutelas, como o ministério das Finanças, ou directamente a Defesa, sem ser necessário um intermediário.

A conclusão da extinção da Empordef vai acontecer ainda este ano, conforme as empresas da Defesa forem sendo vendidas ou reestruturadas.

Além da ETI, o Governo quer vender a participação na EID (Empresa de Investigação e Desenvolvimento) e internacionalizar a actividade desenvolvida pela Defloc e pela Defaerloc, empresas criadas para servir de intermediárias na compra de equipamento militar. (E)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Protecção Civil e a Everjets assinam contracto para operação e manutenção dos Kamov

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) assinou hoje o contrato com a empresa Everjets para a manutenção e operação dos helicópteros Kamov do Estado para os próximos quatro anos.

A Everjets foi a vencedora do concurso público internacional para a operação e manutenção dos helicópteros pesados para os próximos quatro anos, no valor superior a 46 milhões de euros.

Em comunicado, a Protecção Civil refere que foi hoje assinado, entre a ANPC e a Empresa Everjets, o contrato para a aquisição dos serviços de operação dos meios aéreos pesados para missões do Ministério da Administração Interna, envolvendo os seis helicópteros Kamov.

Apesar de o contrato prever a operação e manutenção dos seis Kamov, neste momento estão três operacionais, estando dois em manutenção e um acidentado desde o verão de 2012, segundo informações prestadas anteriormente à Lusa pela ANPC.

A Protecção Civil garante estar “a desenvolver todos os esforços” para que fiquem operacionais cinco Kamov.
Além da operação e manutenção dos seis helicópteros Kamov, a Everjets vai também ficar com a responsabilidade dos 25 trabalhadores da extinta Empresa de Meios Aéreos (EMA), dos quais cinco são pilotos e três co-pilotos.

Em 2013, a Everjets ganhou também o concurso de aluguer de 25 helicópteros ligeiros de combate a incêndios florestais por um período de cinco anos.

A EMA foi extinta no final de Outubro do ano passado, tendo os trabalhadores transitado para a ANPC, até à conclusão do concurso público internacional.

A ANPC é também responsável pela gestão dos contractos de operação e manutenção dos meios aéreos próprios do Estado. (I)

Ministros da Defesa da NATO reúnem em Bruxelas

“Foi a primeira reunião depois da cimeira de Gales (em Setembro). Tivemos a possibilidade de fazer a revisão das conclusões da cimeira, de consolidar a lógica da ameaça - quer a Leste, quer a sul ter a mesma capacidade de resposta por parte da Aliança - e também a forma de a concretizar, com as medidas e com as forças de intervenção mais rápida, das quais Portugal também fará parte”, disse o ministro da Defesa Nacional em declarações aos jornalistas.

Este encontro ficou marcado pela decisão da Aliança Atlântica reforçar a sua presença nos aliados de Leste, nomeadamente na Letónia, Estónia, Lituânia, Polónia, Roménia e Bulgária, como consequência do “comportamento” da Rússia nestas zonas.

José Pedro Aguiar-Branco afirmou ainda que será mantido o mesmo grau de ponderação às ameaças vindas do flanco sul, face ao aumento do extremismo no Médio Oriente e norte de África.

“O que importa aqui também a nós destacar é que ambas as ameaças são consideradas com o mesmo nível de prioridade que a NATO deve ter para responder a essas ameaças. Não há aqui um privilégio, digamos assim”, acrescentou.


Portugal esteve representado nesta reunião pelo ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco e pelo Chefe de Estado-Maior-General das Forças Aramadas, General Artur Pina Monteiro. (Defesa)

Boeing amplia duração de vida do B52 até 2044

Criado no início dos anos 50, durante a Guerra Fria, o Boeing B52 foi a imagem do poderio aeronáutico das forças armadas Norte Americanas, devido às suas elevadas capacidades (15.000 metros de altitude, 14.160 km de alcance), bem como ao poder bélico que poderia transportar (32 toneladas).

Prestes a celebrar os 60 anos de actividade, a Força Aérea Norte Americana (USAF) atribuiu um contracto à Boeing para actualizar a sua actual frota de B52 (30 aeronaves), de maneira que os mesmos possam continuar em actividade até 2044. Estas actualizações consistem na integração do sistema de comunicações de combate (CONECT – Combat Network Communications Technology), que permitirá actualizar todos os sistemas de comunicação, permitindo assim a que os tripulantes deste bombardeiro possam receber todas as informações (mapas, comunicações), em tempo real.

Juntamente com esta actualização, a Boeing já tem estado a realizar outras actualizações, como a substituição do sistema de armamento, permitindo assim aumentar a capacidade de carga de armamento “inteligente”. Esta alteração, em conjunto com o sistema CONECT, permitirá que a tripulação possa, através dos computadores utilizados, determinar qual o armamento que será lançado tendo em conta o tipo e localização do alvo que pretendem abater.

Também os sistemas de navegação receberão fortes actualizações, com a introdução de instrumentação de navegação por GPS, sistemas de detecção de alvos, bem como os sistemas de radar existentes, que datam dos anos 60. Segundo responsáveis da USAF, os B52 foram construídos de tal maneira que acreditam não ser difícil que as aeronaves possam continuar até atingir a impressionante marca dos 84 anos de actividade. (+Motor)

ABERTURA E DESTRUIÇÃO DE CONTENTORES COM MATERIAIS INDUSTRIAIS PERIGOSOS - RE 1

O Regimento de Engenharia Nº1 (RE1), através do Grupo de Equipas EOD (GrEqEOD), executou entre 07 e 08 de Janeiro de 2015 uma operação de abertura à distância e destruição de contentores metálicos contendo materiais industriais facilmente inflamáveis, em apoio a uma empresa do Parque de Resíduos da Chamusca.

Na sequência de várias tentativas de abertura dos contentores manualmente e também por meios mecânicos, tendo ambas as situações resultado em deflagrações descontroladas, e tendo-se verificado que o manuseamento destes contentores originava frequentemente deflagrações com elevado grau de perigosidade, devido particularmente ao estado de degradação do material, foi solicitado o apoio do RE1.

Através do emprego de um Veículo de Controlo Remoto (VCR) “tEODor” operado à distância, para colocação e detonação de cargas lineares de corte de aço, o GrEqEOD apresentou uma modalidade de acção com baixo nível de risco.

A operação contou também com a participação das equipas internas de operadores de equipamentos de engenharia e de combate a incêndios da própria unidade apoiada e de uma equipa do Núcleo de Substâncias Perigosas do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa.

O VCR “tEODor” é um equipamento de alta robustez e versatilidade, empregue em operações de inactivação de engenhos explosivos improvisados (IED), permitindo obter acesso, visualização e acção sobre um IED por meios remotos, sem fios, mantendo o pessoal envolvido na operação a uma distância segura.

As cargas de corte linear de aço utilizadas são cargas militares empregues na inactivação de engenhos explosivos convencionais, bem como em demolições por métodos explosivos para corte de elementos de estruturas metálicas.

Estas cargas são dimensionadas e moldadas no local pelos operadores EOD, permitindo, através de reduzidas quantidades de explosivo, efectuar cortes de grande precisão em estruturas metálicas com espessuras superiores a 20 mm (em aço). Aplicam um princípio similar às cargas de efeito dirigido utilizadas nos sistemas de Armas Anti-Carro (Minas AC, RPG, Mísseis, etc.).

O domínio do manuseamento de materiais explosivos, os conhecimentos base acerca de explosivos improvisados e misturas inflamáveis dos militares com qualificação EOD, os meios e equipamentos disponíveis e a sobriedade, serenidade e pragmatismo característicos da conduta do militar, granjearam ao GrEqEOD e ao RE1 um elevado reconhecimento de todas as partes envolvidas, sendo-lhe reconhecidas as elevadas competências nesta área sensível do saber e do saber fazer. (Exército)

REGIMENTO DE ARTILHARIA ANTIAÉREA Nº1 REALIZA OPERAÇÕES DE LIMPEZA DE MINAS NA SERRA DE SINTRA

O Regimento de Artilharia Antiaérea n.º 1 (RAAA1), ao abrigo do protocolo celebrado com os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Sintra (SMAS/Sintra), tem vindo a executar acções de limpeza e identificação de minas de água situadas na Serra de Sintra. Estas minas fazem parte do sistema de captação de águas do Concelho de Sintra.

A  missão reveste-se de particular importância uma vez que tem permitido à medida que os trabalhos avançam, a identificação, localização e catalogação de inúmeras minas que até agora eram desconhecidas ou careciam de manutenção urgente.

Com empenho e espírito de missão, os Militares do RAAA1 têm conseguido levar a bom porto a missão, promovendo o bom relacionamento entre o Regimento e as diversas autoridades civis inseridas na sua área de influência. (Exército)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

PROJETO “DEFESA EMPREENDE” EM ESTREMOZ

O Ministério da Defesa Nacional (MDN), através da Direcção-Geral de Recursos da Defesa Nacional (DGRDN) e a SBI Consulting enquanto entidade parceira, promovem o programa Defesa Empreende.
O Defesa Empreende é uma iniciativa que tem como principal missão fomentar o empreendedorismo junto dos ex-militares ou militares do Regime de Contrato (RC) em termos da sua prestação de serviço militar, com o objectivo de disponibilizar informação essencial para quem pretende implementar um projecto empresarial, capacitar os promotores em áreas essenciais para o arranque efectivo de um negócio, prestar assistência técnica especializada, apoiar e acompanhar as melhores ideias para esse negócio e premiar iniciativas empresariais inovadoras e diferenciadoras que resultem do Programa Defesa Empreende.

Ao presente programa podem candidatar-se militares ou ex-militares do RC, individualmente ou em equipa, que pretendem criar o seu próprio emprego através da implementação de um projecto empresarial ou empresas promovidas por ex-militares do RC, com menos de 3 anos de existência. (Local.PT)