sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Bombardeiros russos fizeram hoje nova incursão junto a Portugal

Dois bombardeiros estratégicos russos Tu-95 Bear H” foram hoje novamente interceptados às 8h30, pela segunda vez em pouco mais de 48 horas, por caças F-16 da Força Aérea Portuguesa (FAP), com impacto no tráfego aéreo comercial que teve de ser desviado, soube o i.

Os bombardeiros russos passaram muito perto da zona terminal da aproximação de Lisboa sempre escoltados por dois caças F-16 portugueses.No entanto, desta vez, o sobrevoo dos aparelhos russos representou efectivos riscos ao tráfego da aviação comercial, uma vez que os controladores aéreos civis não os conseguiam detectar evitando que a sua trajectória interferisse com a rota dos aviões civis. O controlo aéreo civil teve de ser informado da intrusão pela força aérea.Mais uma vez, nenhum dos bombardeiros russos apresentou plano de voo autorizado e não mantiveram contacto rádio com o controlo aéreo civil ou militar.

Os dois aparelhos voaram com os “transponders” desligados (para identificação), evitando deliberadamente qualquer identificação pelo controlo aéreo civil.Tecnicamente, os bombardeiros de longo alcance russos não entraram na zona de soberania portuguesa, mas sobrevoaram a costa a 12 milhas náuticas, violando claramente o espaço aéreo sob responsabilidade nacional. (Jornal I)

Defesa Nacional no debate do OE 2015 na Assembleia da República

Durante o plenário em que foi discutida, na generalidade, a proposta de Orçamento de Estado (OE) para 2015, a área da Defesa Nacional foi identificada como um exemplo de sucesso ao nível das reformas já executadas.

Pelos intervenientes no debate foi referido que esta proposta de Orçamento do Estado para 2015, traduz na área da Defesa Nacional uma nova abordagem qualitativa assegurando a operacionalidade das Forças Armadas e garantindo as necessidades para cumprimento das missões que estão atribuídas ao nível da defesa da soberania, mas também de construção da paz e segurança internacionais.

A proposta de OE2015, na área da Defesa Nacional, de acordo com as intervenções em plenário, assegura a contribuição portuguesa para a segurança e desenvolvimento global através da manutenção das Forças Nacionais Destacadas, um incremento na área da Cooperação Técnico Militar e a concretização do processo de reestruturação da Defesa Nacional e das Forças Armadas.

Em conclusão das intervenções sobre a Defesa Nacional, a reforma da Defesa 2020 foi identificada como o garante uma maior eficiência e eficácia, permitindo um equilíbrio entre os recursos disponíveis, as necessidades das Forças Armadas e os compromissos assumidos em contexto nacional e internacional.(Defesa)

quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Portugal e Colômbia vão cooperar na área da Defesa

Em declarações aos jornalistas José Pedro Aguiar-Branco referiu que a reunião bilateral foi "muito positiva" do ponto de vista político e que ambos os países vão estabelecer um acordo de cooperação, na área da defesa, que irá ser desenvolvido até ao primeiro semestre de 2015.

Durante a reunião "convidei o ministro da defesa da Colômbia a ir a Portugal no primeiro semestre de 2015 e, nessa altura, podemos assinar o acordo, que regerá as relações" acrescentou o titular da pasta da Defesa Nacional.

Aguiar-Branco referiu ainda que o acordo irá ter "uma lógica global". Porém, nesta reunião já foram adiantadas algumas áreas específicas, particularmente no sector naval, tendo ficado prevista a utilização, por parte da Colômbia, de meios e capacidades portugueses, como submarinos e navios patrulha oceânicos.

Relativamente às áreas de treino, formação e certificação, o acordo irá permitir que a cooperação entre Portugal e a Colômbia "possa estreitar e facilitar a relação" deste país latino "com a União Europeia e a NATO", o que "é um desejo que a Colômbia tem", explicou o ministro da Defesa Nacional.

José Pedro Aguiar-Branco termina hoje uma visita de três dias a Bogotá. (Defesa)

Ministro da Defesa Nacional em visita oficial à Colômbia

O ministro da Defesa Nacional iniciou ontem uma visita à Colômbia tendo assumido dois objectivos primordiais para esta jornada. O primeiro, o de estabelecer, pela primeira vez, relações bilaterais entre os ministérios da Defesa de Portugal e da Colômbia e o segundo, o de promover a internacionalização de empresas portuguesas na área da Defesa neste país.

“É a primeira vez que um ministro da Defesa português vem à Colômbia e, portanto, vamos poder estabelecer uma relação bilateral no quadro global da Defesa com o Ministério da Defesa colombiano”, declarou José Pedro Aguiar-Branco.

“O primeiro plano tem uma carga simbólica, mas também tem uma expressão muito completa, porque, hoje, as ameaças globais”, como a pirataria, o terrorismo e o narcotráfico, tornam necessária “uma interligação” entre as forças armadas de Portugal e da Colômbia, dois países que, “aparentemente, estão noutra órbita, mas que, face a este tipo de ameaças, estão na mesma capacidade de resposta na interacção e na interoperacionalidade”.

Segundo o ministro da Defesa Nacional, as relações bilaterais entre os ministérios da Defesa de Portugal e da Colômbia podem vir a ser estabelecidas em várias áreas referindo que esta matéria será objecto de análise durante a reunião bilateral a decorrer durante o dia de hoje.

Entre as várias áreas em que poderão ser estabelecidas relações bilaterais, José Pedro Aguiar-Branco destacou o “cluster” naval-marítimo, no qual “há a possibilidade de estreitar relações entre as duas marinhas, da Colômbia e de Portugal, com projectos concretos”.

Hoje, José Pedro Aguiar-Branco participou na sessão inaugural da Feira Internacional de Defesa e Segurança de Bogotá (Expodefensa), que conta com a participação da empresa pública portuguesa IDD – Indústria de Desmilitarização e Defesa e de mais 12 empresas portuguesas da área da Defesa.

A participação da IDD na Expodefensa, tratar-se da primeira acção internacional da “nova realidade” desta empresa, que “tem como objectivo principal cuidar da internacionalização” de todas as empresas, públicas e privadas, portuguesas da área da defesa disse o responsável pela pasta da Defesa Nacional.

Esta é uma forma de “abrir caminho para novos mercados para a capacidade de exportação e internacionalização” das empresas portuguesas na área da Defesa, acrescentou, mencionando que as indústrias de Defesa portuguesas “também contribuem para a capacidade exportadora de Portugal, que “tem boas capacidades” nas áreas de aeronáutica, naval e tecnologia.

As empresas portuguesas representadas na Expodefensa vão “descobrir novas realidades e oportunidades de negócio” neste certame, que “é uma boa estreia” para a “nova realidade” da IDD, concluiu o ministro. (Defesa)

F16 interceptam aeronaves russas em espaço aéreo nacional


Duas aeronaves da Força Aérea Portuguesa (FA) realizaram uma missão de defesa aérea em espaço aéreo de responsabilidade nacional no dia 29 de Outubro.

Durante a manhã de quarta-feira, o Sistema de Defesa Aérea (DA) da FA detectou duas aeronaves não identificadas na zona noroeste de Portugal e com rumo sul, voando alto, rápido e sem comunicações com o Controlo de Tráfego Aéreo.

O Centro de Relato e Controlo da FA reportou de imediato para a estrutura militar NATO da qual depende, tendo sido decidido activar a parelha de aeronaves F16 Fighting Falcon, em alerta na Base Aérea de Monte Real, para interceptar e identificar as aeronaves.

Após realizado o reconhecimento visual, as aeronaves foram identificadas como sendo Bombardeiros Tu-95 “Bear”, de nacionalidade russa, que, entretanto, mudaram o rumo para norte, tendo sido escoltados até à sua saída do espaço aéreo de responsabilidade nacional. (FAP)

General Loureiro dos Santos defende rearmamento da NATO

O general Loureiro dos Santos afirma que as manobras militares realizadas na quarta-feira por aviões da Rússia constituem uma demonstração de poder e defende, assim, que a NATO deve rearmar-se para evitar uma nova guerra.

Esta semana, em entrevista ao "Terça à Noite”, da Renascença, Loureiro dos Santos, já tinha defendido a tese de que “a Europa está completamente desarmada" e que "é por isso que a Rússia faz o que faz, porque a Rússia sabe que não tem resistência militar”.

A Rússia “pode fazer o que quiser, está a fazer o que quer. O Putin sabe perfeitamente que está à vontade, porque nós não temos meios para nos impormos, portanto ele está perfeitamente à vontade”, disse ao “Terça à Noite”.

Na quarta-feira, a NATO informou ter detectado "manobras incomuns" e "de grande escala" da Rússia no espaço aéreo sobre o Oceano Atlântico e os mares Báltico, do Norte e Negro e enviou aviões de vários países da organização para escoltar os aparelhos russos, uma situação que, para o general, surge na sequência da crise da Ucrânia, onde a Rússia "demonstrou que está disponível para usar a força para atingir objectivos políticos".

O objectivo final da Rússia, que Loureiro dos Santos considera ser "recuperar as vantagens geopolíticas que perdeu com o fim da Guerra Fria" e "controlar o território da Ucrânia", não tem recebido, na sua opinião, a oposição que devia.

"Neste momento, ninguém põe em causa, porque não existe poder militar para o fazer, as posições que a Rússia conquistou naquela zona" da Ucrânia, referiu, acrescentando que a falta de uma resposta forte por parte da Europa levou os países europeus de Leste que já pertencem à NATO - República Checa, Eslováquia, Hungria, Bulgária, Polónia e países bálticos - a achar que "lhes pode acontecer uma coisa parecida".

Face ao cenário que se desenhou, a Rússia decidiu "aprofundar a situação e explora-a com demonstrações de força, mostrando a estes países e a todos os outros que tem força e está disponível para a usar", alertou o especialista militar.

Admitindo estar preocupado, Loureiro dos Santos explicou que o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, "pode convencer-se de que é imparável, que não tem obstáculos, que pode avançar".

A situação, adiantou, "pode configurar uma situação parecida com a situação nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, em que a Alemanha de Hitler ia sucessivamente avançando e as potências ocidentais iam sucessivamente aceitando".

"De um momento para o outro isto pode mesmo ter que haver uma resposta e aí estamos todos envolvidos numa situação grave”. Por isso, defendeu, os países europeus da NATO devem reforçar o investimento nos meios militares. (RR)

EMGFA CONFIRMA PRESENÇA DE AERONAVES NÃO IDENTIFICADAS EM ESPAÇO AÉRO PORTUGUÊS

O Estado-Maior-General das Forças Armadas confirma que na manhã de 29 de Outubro foram detectadas duas aeronaves não identificadas no espaço aéreo sob responsabilidade portuguesa.

Foram accionados os meios de alerta previstos neste tipo de situações no quadro da NATO, tendo dois caças F-16 portugueses identificado duas aeronaves militares russas, que encaminharam para fora do espaço aéreo sob responsabilidade nacional.

Os meios accionados cumpriram a sua missão, encontrando-se a situação a ser acompanhada no âmbito da NATO. (EMGFA)

Bombardeiros Russos foram interceptados por F-16 da Força Aérea Portuguesa

Já sobre pleno Oceano Atlântico a Oeste de Portugal, dois bombardeiros Tupolev Tu-95, foram interceptados por dois F-16 MLU da Força Aérea Portuguesa, que descolaram a partir de Monte Real, Base Aérea nº5 . Os Bombardeiros Russos, voltaram então rumo a nordeste, voando em direcção ao oeste do Reino Unido".

O Governo garantiu que o sistema funcionou dentro da "normalidade" , e garante que vão ser tomadas as medidas necessárias para acautelar este tipo de situações.

Força Aérea diz que é viável um terminal para voos civis na base do Montijo

A Força Aérea Portuguesa considera que a base aérea do Montijo reúne as condições para receber um terminal para voos civis, à semelhança do que já acontece com a base aérea de Beja.

"A Força Aérea considera que a eventual abertura da Base Aérea nº 6 [no Montijo] ao tráfego civil, bem como a utilização comum das respectivas infraestruturas aeronáuticas, tem viabilidade", afirmou a instituição militar, depois de questionada pela agência Lusa sobre se o Montijo reúne as condições para receber um futuro terminal civil, como já acontece em Beja.

A Força Aérea informa que os contactos e as reuniões com a ANA-Aeroportos de Portugal, comprada pelo grupo francês Vinci, relativos à possibilidade da abertura da Base Aérea do Montijo às companhias aéreas de baixo custo (low cost), tiveram início há cerca de dois meses.
A instituição diz ainda que, até ao momento, os contactos existentes com a ANA "se referem apenas à eventual abertura da Base Aérea n.º 6 ao tráfego aéreo civil", não tendo sido abordadas outras hipóteses, como a Base Aérea de Sintra ou Alverca, contempladas no estudo pedido pelo Governo para a viabilidade de instalação de um aeroporto complementar ao Aeroporto da Portela (Portela+1).

A Força Aérea acrescenta que "as reuniões e as visitas de trabalho já efectuadas têm como pressuposto as conclusões de estudos anteriores", sem, no entanto, confirmar se os mesmos têm por base o relatório Portela+1, o qual ainda não foi divulgado publicamente, e que tinha conclusão prevista para Abril de 2012.

À pergunta sobre se está a ser discutida a possibilidade de o Aeroporto Militar de Figo Maduro vir a ser desactivado no futuro para parqueamento de aviões, tendo em conta a crescente falta de espaço no Aeroporto da Portela, a FAP diz que a intenção não é prioritária.

"A Força Aérea manterá sempre uma atitude positiva face à análise de qualquer opção, salvaguardando naturalmente o cumprimento da missão que lhe está legalmente atribuída. Actualmente, a hipótese mencionada não parece ser prioritária", explicou a instituição militar.

Por seu lado, contactada pela Lusa, a ANA refere, por escrito, que, nesta fase, não irá pronunciar-se sobre ambas as situações. "Estamos numa fase de estudos e análises, não havendo ainda qualquer decisão tomada, pelo que é extemporânea qualquer declaração", justificou.

O presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta (PS), confirmou que se reuniu com a ANA para discutir a hipótese de um novo aeroporto para os voos low-cost na base local, referindo que concorda mas como solução provisória.

"O novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete é estratégico e tem uma importância muito grande para que Portugal se possa afirmar como uma plataforma atlântica de ligação aos Estados Unidos. Acredito nesta solução, mas também me agrada uma solução provisória na base aérea", disse em declarações à Lusa. (Público)

quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Colômbia é mercado “importantíssimo” para empresas portuguesas de Defesa

O ministro da Defesa, Aguiar-Branco, considerou hoje a Colômbia como um mercado "importantíssimo" para as empresas portuguesas da área da Defesa, frisando que, a este nível, é "inegável" o interesse daquele país da América Latina em Portugal.

"O mercado da Colômbia é importantíssimo", disse o ministro aos jornalistas, durante uma visita à Expodefensa - Feira Internacional de Defesa e Segurança, que começou hoje na capital colombiana, Bogotá.

A visita à feira integrou-se no programa da visita de Aguiar-Branco a Bogotá, para Portugal estabelecer pela primeira vez relações bilaterais com a Colômbia e abrir novas oportunidades de negócio para empresas portuguesas na área da Defesa.

A feira conta com um "stand" da empresa pública portuguesa IDD - Indústria de Desmilitarização e Defesa, onde estão representadas outras 13 empresas portuguesas da área da Defesa.

A Expodefensa, explicou, "agrega muitos países" da América latina e da Europa e, por isso, foi escolhida para ser o palco da primeira acção internacional da IDD para promover a internacionalização e novas oportunidades de negócio para empresas portuguesas da área da Defesa.

"Espero que saiam bons negócios para Portugal" da presença das empresas portuguesas na feira, através da acção da IDD, que "é um marco que mostra, pela primeira vez, que a Defesa Nacional não é concorrente, mas sim parceira das indústrias de Defesa portuguesas, nomeadamente das pequenas e médias empresas, que têm necessidade de se internacionalizar e de conhecerem novos mercados", disse.

Aguiar-Branco frisou que o interesse da Colômbia em Portugal na área da Defesa é "inegável" e nota-se nos planos político e empresarial.

Entre os Estados português e colombiano, é "inegável" que "há interesse neste intercâmbio e no desenvolvimento desta nova realidade no âmbito da indústria de Defesa", disse.

O interesse também é "inegável" a nível empresarial, disse, referindo que, através das visitas que fez aos ‘stands’ das empresas colombianas presentes na feira, viu que "há também oportunidades que podem nascer de parcerias ou de complementaridade relativamente a áreas de negócio" com empresas portuguesas no âmbito da indústria da Defesa.

"Já fui testemunha disso. Houve alguns contactos que já foram aqui hoje estabelecidos e, agora, é normal que [as empresas] daqui partam para todo um conjunto de planeamento e negociações, que terão os seus frutos mais à frente", disse.

Segundo o ministro, a Colômbia "tem uma grande experiência" em matérias como o combate ao narcotráfico e a situações de terrorismo e de pirataria, e, por isso, Portugal "estabelecer laços de interoperabilidade, de troca de conhecimentos e de informação" com aquele país naquelas áreas "significa que há um espaço de resposta conjunta mais forte". (Jornal I)

Primeiro-Ministro visita Base Aérea N.º 4

O Primeiro-Ministro, Dr. Pedro Passos Coelho, visitou a Base Aérea N.º 4 (BA4) – nas Lajes, Ilha Terceira, Açores - no dia 28 de Outubro de 2014.

Na sua primeira deslocação oficial ao arquipélago dos Açores enquanto Primeiro-Ministro, o Dr. Pedro Passos Coelho foi recebido pela Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional (Dra. Berta Cabral), pelo Vice-Chefe do Estado Maior da Força Aérea, pelo Comandante Aéreo, pelo Comandante da Zona Aérea dos Açores e pelo Comandante da Base Aérea N.º 4.

O Primeiro-Ministro assistiu depois a um briefing sobre esta Unidade da Força Aérea e sobre as missões que lhe estão atribuídas. Posteriormente efectuou uma breve visita pela BA4 e pelos diferentes locais onde diariamente trabalham vários militares e civis. (FAP)

Corveta da Marinha será recife artificial na Madeira

O Ministério da Defesa deu à Madeira a corveta da Marinha ‘NRP General Pereira d’Eça’. A ideia é fazer da embarcação, uma vez afundada, um recife artificial e um local privilegiado para a observação da vida marinha e simultaneamente um museu subaquático e pólo de atracção turística na área do mergulho amador.

A corveta, pertencente à classe João Coutinho e abatida ao efectivo dos navios da Armada Portuguesa a 2 de Julho, foi alienada a título gratuito.

A candidatura deste projecto foi formalizada pela Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais ao programa comunitário PROMAR -RAM /medida de protecção e desenvolvimento da fauna e flora subaquática, através do Parque Natural da Madeira.

O Governo Regional quer afundar a embarcação na costa sul da ilha, em local ainda não especificado, para atrair mergulhadores. Existem três locais possíveis que estão a ser estudados em conjunto com empresas de mergulho, grupos desportivos e associações.

Em Junho de 2013, o Governo Regional da Madeira pediu duas embarcações à Marinha portuguesa para posterior afundamento mas, até agora, só esta foi cedida. (SOL)

CEMGFA DA INICIATIVA 5+5 DEFESA REUNIDOS EM SEVILHA

A 6ª Reunião dos Chefes de Estado-Maior das Forças Armadas (CEMGFA) realizou-se nos dias 20 e 21 de Outubro, em Sevilha, Espanha, país actualmente na presidência da Iniciativa 5+5 Defesa.

Celebrando dez anos de actividade, a Iniciativa 5+5 Defesa procura, através de medidas concretas de cooperação entre dez países do sul e norte do Mediterrâneo Ocidental (Argélia, França, Itália, Líbia, Malta, Mauritânia, Marrocos, Portugal, Espanha e Tunísia), ajudar a criar e manter um clima de confiança e de franca colaboração, com o objectivo de encontrar soluções que respondam a preocupações comuns na área da Segurança e Defesa.

O evento foi presidido pelo CEMGFA espanhol, Almirante Garcia Sanchés e contou, para além de Espanha, com a presença do CEMGFA português, General Pina Monteiro e dos CEMGFA de Itália, Malta, Mauritânia, Argélia, França, Marrocos e Tunísia.

Das várias temáticas abordadas, salienta-se a análise das ameaças e riscos que poderão vir a afetar a segurança e a estabilidade do Mar Mediterrâneo e dos países da Iniciativa, ressalvando a importância da continuação da cooperação nas quatro áreas centrais da Iniciativa de Defesa, nomeadamente na vigilância marítima, segurança aérea, apoio das Forças Armadas no domínio da Protecção Civil e na Educação e Formação, exemplo inequívoco de que os países podem trabalhar em conjunto e de forma pragmática, para o fortalecimento dos laços de união, manutenção da paz e protecção das populações da região.

Actividade regular da Iniciativa 5+5 Defesa, a Reunião de CEMGFA precede a Reunião Ministerial de Defesa, marcada para 10 e 11 de Dezembro, em Granada, Espanha.

Apesar da sua curta existência, a Iniciativa tem demonstrado ser um claro exemplo de sucesso. (Emgfa)

Chefe do Estado-Maior da Força Aérea visita Destacamento Português Baltic Air Policing

O Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), General José António de Magalhães Araújo Pinheiro, visitou nos dia 23 e 24 de Outubro o destacamento da Força Aérea Portuguesa na missão Baltic Air Policing, a decorrer a partir da Lituânia.

Nesta visita, o CEMFA foi recebido pelo Comandante em funções da Força Aérea da Lituânia, Tenente-Coronel Vidmantas Raklevičius. Teve também oportunidade de visitar o destacamento da Força Aérea do Canadá empenhado na mesma missão.

O Tenente-Coronel Carlos Lourenço, Comandante do Destacamento Português, acompanhou pessoalmente a visita do CEMFA, demonstrando todas as vertentes humanas e técnicas empenhadas nesta missão.

O destacamento português na missão Baltic Air Policing é composto por 70 militares da Força Aérea Portuguesa, sob a forma de Força Nacional Destacada pelo Estado-Maior General das Forças Armadas.

Portugal desempenha a função de lead nation do bloco 36 desta missão, liderando uma cooperação que conta também com o Canadá, Alemanha e Holanda.
(FAP)

Primeiro-Ministro Passos Coelho visita Base das Lajes

Pedro Passos Coelho incluiu a Base das Lajes no roteiro da visita à Região Autónoma dos Açores iniciada no domingo e dedicou parte da tarde de terça-feira à Base da Força Aérea Portuguesa, que acolhe um destacamento da Força Aérea dos Estados Unidos da América.

Durante a visita, o Primeiro-Ministro recebeu uma delegação da Comissão Representativa dos Trabalhadores portugueses, reunião na qual participou também a Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional.

Na sua deslocação à Ilha Terceira, Berta Cabral visitou o Regimento de Guarnição nº1, instalado no Forte de São João Batista, em Angra do Heroísmo, onde foi recebida pelo Comandante, Coronel Carlos Filipe.

Durante a manhã, Berta Cabral esteve nas Capitanias dos Portos de Angra do Heroísmo e da Praia da Vitória, ambas instaladas no Cabo da Praia, onde foi recebida pelo Capitão do Porto e Comandante Local da Polícia Marítima, Capitão-de-Fragata Silva Carvalho. Com meia centena de militares e civis, estas capitanias têm jurisdição nas ilhas Terceira e Graciosa.

Durante a visita da Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional à Ilha Terceira foram ainda concedidas audiências aos Presidentes da Junta de Freguesia das Lajes e do Clube de Tiro da Terceira. (Defesa)

COMEMORAÇÕES DO DIA DO EXÉRCITO

O Dia do Exército comemora-se a 24 de Outubro, data em que se celebra a tomada de Lisboa, em 1147, pelas tropas de D. Afonso Henriques, Patrono do Exército Português.

Este ano as celebrações do Dia do Exército decorreram na cidade de Beja e a Banda do Exército deu início às comemorações com a realização de um concerto no Teatro Municipal Pax Julia daquela cidade.

No dia 24 de Outubro prestou-se a tradicional cerimónia de evocação e homenagem a D. Afonso Henriques na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra.

Entre os dias 24 e 26 de Outubro, esteve patente ao público, em Beja, a Exposição de Equipamentos e Materiais e foram feitas diversas Demonstrações de Capacidades e Meios do Exército bem como outras iniciativas de cariz académico e histórico-cultural.

Por todo o território continental e ilhas, durante estes dias, praticou-se uma politica de “Abertura de Portas” potenciando e reforçando desta forma a ligação do Exército à sociedade civil.

As comemorações do Dia do Exército tiveram o seu ponto alto em 26 de Outubro com a realização da Cerimónia Militar. Perante Sua Excelência a Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, Dra Berta Cabral, e demais ilustres convidados, Sua Excelência o General Chefe do Estado-Maior do Exército aludiu no seu discurso às vertentes prioritárias da sua acção de comando: o produto operacional e as pessoas. O produto operacional porque este materializa o que o Exército faz e pode fazer em prol da Nação, principal razão da sua existência. As pessoas porque são elas que vencem os obstáculos, são elas que encontram respostas para os desafios e constituem o principal pilar da operacionalidade de qualquer força militar. (Exército)

PORTUGAL RECEBEU MISSÃO OPEN SKIES

Portugal recebeu, no período de 20 a 24 de Outubro, uma equipa de 11 militares Suecos, que realizou uma missão de observação no âmbito do Tratado Sobre o Regime Céu Aberto (Open Skies).

A missão decorreu com a normalidade, tendo sido permanentemente monitorizada pela Equipa de Observação Nacional (EON), que assegurou o cumprimento do estabelecido no Tratado.

O final de missão coincidiu com a partida da aeronave, um avião SAAB 340B, do Aeródromo de Transito Nº1 (AT1), no dia 24 de Outubro pelas 08H00 locais.

Governo tem-se esforçado para dar às Forças Armadas capacidade operacional

Em declarações à agência Lusa na capital da Colômbia, Bogotá, onde iniciou na terça-feira uma visita de três dias, o ministro reagia ao alerta para uma eventual instabilidade na “família militar”, devido à sobrevalorização de critérios financeiros que podem originar falta de capacidade militar, lançado, no passado domingo, pelo Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Carlos Jerónimo.

“Partilho essas observações” do CEME, disse, referindo que o “esforço” do Governo, nos últimos três anos, no âmbito da Reforma 20-20, é precisamente para “poder ter capacidade financeira no reequilíbrio das contas públicas” para as Forças Armadas poderem “voltar a ter uma capacidade operacional acrescida” e de se fazer “o desenvolvimento e a modernização do equipamento militar”.

Trata-se da “primeira vez que acontece um ciclo completo de revisão de tudo o que tem a ver com as leis da Defesa Nacional”, o qual vai terminar no final deste ano, com a revisão da lei da programação militar, e que permitiu “fazer ajustamentos” para que “se gaste menos com pessoal e mais com capacidade operacional” e seja possível “reequipar novamente e modernizar as Forças Armadas”, frisou.

Segundo Aguiar-Branco, com a lei da programação militar serão definidos os programas nos três ramos das Forças Armadas (Marinha, Força Aérea e Exército), o que irá acontecer porque, nos últimos três anos, foi possível fazer “o reequilíbrio das contas públicas, definir rácios para pessoal, operação e manutenção e investimento”, para que “minimizemos as restrições que tivemos”.

No passado domingo, no seu discurso nas comemorações do Dia do Exército, em Beja, o CEME assumiu o compromisso de “pugnar pela estabilidade das condições estatutárias” do Exército, pela “busca de soluções para desbloquear as promoções e o congelamento da progressão nas carreiras e ultrapassar os constrangimentos orçamentais que afectam o treino operacional e a participação em exercícios internacionais”.

Em reacção, Aguiar-Branco disse que as Forças Armadas “têm respondido a todas as missões a que são chamadas” e “respeitado todos os compromissos internacionais, dentro de um quadro mais exigente, definindo prioridades, racionalizando, mas conseguindo fazer tudo isso com segurança”.

O treino e a participação em missões internacionais dos três ramos das Forças Armadas são “um objectivo do Governo, que tem sido assegurado e só vai ser reforçado agora, porque, com a reforma 20-20, temos maior capacidade operacional”, explicou.

Aguiar-Branco disse também que o Governo PSD/CDS-PP “herdou” a situação de congelamento das promoções do anterior Governo PS, a qual “descongelou desde o início” e, por isso, “as promoções têm acontecido com a normalidade que devem acontecer”.

Por Luís Miguel Lourenço, da agência Lusa / Observador

Ministro da Defesa Nacional reuniu com o seu homólogo francês

O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco reuniu, hoje, com o seu homólogo Francês, Jean-Yves Le Drian, na residência oficial, Hôtel de Brienne, a convite do mesmo.

No centro deste encontro estiveram temas de actualidade internacional de Defesa tendo sido dado especial ênfase aos do âmbito da União Europeia, da OTAN e da Iniciativa 5+5.

Os ministros da Defesa de Portugal e França debateram ainda assuntos de natureza bilateral e concertaram posições sobre ameaças comuns. (Defesa)

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Comemorações do Centenário 1ª Grande Guerra (Reguengos de Monsaraz)


IH NA ORGANIZAÇÃO DA 7ª CONFERÊNCIA EUROGOOS

A 7ª Conferência EuroGOOS, co-organizada pelo Instituto Hidrográfico e pelo secretariado da EuroGOOS, realiza-se entre 28 e 30 de Outubro, nas instalações da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Esta é uma associação internacional sem fins lucrativos, de agências e organizações de investigação, dedicada à oceanografia operacional, à escala europeia, no contexto do Sistema Global de Observação dos Oceanos, enquadrado na Comissão Oceanográfica Inter-governamental da UNESCO. (MGP)

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Dia do Exército comemorado em Beja

A Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional presidiu, este domingo, às comemorações oficiais do Dia do Exército, uma instituição com quase mil anos.

Berta Cabral afirmou na ocasião que "Portugal está profundamente reconhecido às mulheres e aos homens que servem o país no Exército, integrando a sua Força Operacional Permanente, com todas as implicações de prontidão que isso implica. A importância do Exército é particularmente sentida e reconhecida pelas nossas populações quando estão em causa missões de interesse público, seja no apoio em acções de Protecção Civil e de defesa do Ambiente, seja no apoio logístico a entidades sem fins lucrativos ou mesmo na participação em actividades culturais", sublinhou Berta Cabral.

Na sua intervenção, a Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional salientou "a participação em missões externas, no âmbito da NATO, da União Europeia ou da ONU" que "tem sido decisiva para Portugal se afirmar como co-produtor de segurança internacional".

Berta Cabral realçou ainda como "igualmente meritório e com desempenho excepcional" o envolvimento dos nossos militares na Cooperação Técnico-Militar, em Angola, Moçambique, Timor Leste, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, onde estão em desenvolvimento dezenas de projectos, que são essenciais para aqueles países, mas que também são estratégicos para a política externa portuguesa. "Estamos a falar de quase uma centena de militares portugueses destacados e do acolhimento de 70 bolseiros no nosso país, ao abrigo destes programas de cooperação", explicou.

Perante o Chefe do Estado-Maior do Exército, General Carlos Jerónimo, o Presidente da Câmara Municipal de Beja, João Rocha, chefias do Exército, convidados, forças em parada e muitos populares, a Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional justificou a cerimónia na Avenida do Brasil "para fazer o reconhecimento público da importância dos homens e mulheres que, 'em perigos e guerras esforçados', servem Portugal no Exército, na esteira do seu patrono, D. Afonso Henriques".

Berta Cabral recordou que "estamos a entrar na etapa final do processo político de reorganização da estrutura superior da Defesa Nacional e das Forças Armadas, designada por Reforma Defesa 2020", que permitirá "configurar um Exército mais moderno e mais operacional, integrado coerentemente nas Forças Armadas e na Defesa Nacional".

A Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional frisou que, "quanto ao dispositivo, houve uma clara aposta na concepção de unidades comuns de apoio e à racionalização e rendibilização conjunta de infraestruturas, sinergias que libertam verbas para a área operacional. A Reforma Defesa 2020 continuará, e quando concluída, traduzir-se-á numa melhoria de processos e num reforço do produto operacional das Forças Armadas".

Durante a Cerimónia Militar do Dia do Exército foram condecorados o Coronel Mazarelo (Serviços Distintos, Grau Prata), o 1.o Sargento Renato Anastácio (Mérito Militar, 4.a Classe), o Soldado Fábio Ramos (D. Afonso Henriques, 4.a Classe) e a Assistente Técnica Maria Soares Dias (D. Afonso Henriques, 4.a Classe). (Defesa)

Mini-vaivém da Boeing esteve 674 dias em órbita numa missão secreta

Pequeno clone dos antigos vaivéns da NASA não tripulado regressou à Terra depois de dois anos em voo orbital. Estados Unidos continuam a depender das naves da Rússia para levar os seus astronautas para a estação ISS

Era já noite cerrada na Califórnia quando um clone mais pequeno dos antigos vaivéns da NASA, que há três anos estão parados em museus, aterrou discretamente, a 17 de Outubro, na Base Vandenberg da força aérea americana - conhecida pelos seus trabalhadores como o sítio pacato dos lançamentos espaciais da América.

É um nome certeiro: a chegada do veículo não tripulado X-37B, depois de 674 dias consecutivos na órbita da Terra, foi um acontecimento recatado, que a base anunciou num press release com data desse mesmo dia.

Numa altura em que os voos de ida e volta para órbita deixaram de ser uma rotina dos vaivéns da NASA, depois de o programa ter sido cancelado em 2011, e quando o futuro das viagens espaciais tripuladas continua em debate nos Estados Unidos, sobretudo porque o país continua a depender das naves Soyuz da Rússia para levar os seus astronautas para estação espacial ISS, ao preço de 70 milhões de dólares por cada lugar, a discreta aterragem não podia deixar de ter repercussões nos media. (DN)

domingo, 26 de Outubro de 2014

Iª Corrida do Centenário da Aviação Militar

A 1ª Corrida do Centenário da Aviação Militar realizar-se-á no dia 29 de Novembro, pelas 15H15, com partida e chegada ao Museu do Ar na Base Aérea Nº1 – Sintra, com uma distância de 10km. Para aqueles que preferem caminhar, em simultâneo decorrerá uma caminhada com 5km.

Esta corrida conta com a colaboração das entidades autárquicas locais, Câmara Municipal de Sintra e União das Freguesias de Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar. (FAP)

O “moral” das tropas em África

O moral das tropas portuguesas manteve-se sempre em níveis elevados durante toda a guerra colonial.

Por meados da década de 1960, num final de tarde, em Buela, povoação situada no norte de Angola, “bem junto” à fronteira com o Zaire, o aquartelamento onde se encontrava instalada a Companhia de Caçadores 670 foi alvo de um ataque executado por homens da UPA/FNLA. “Após umas curtas rajadas de pistola-metralhadora” choveram “morteiradas, tiros diversos de espingardas automáticas, [e mais] rajadas de pistolas-metralhadoras”. O “aquartelamento” esteve sob flagelação inimiga durante “largos minutos”, especialmente “a zona da parada e do refeitório”, varrida por “fogo intenso e cruzado”.
“Morteiradas” e “rajadas”.

César Oliveira, autor deste relato e na altura, ao que tudo indica, alferes miliciano, racional ou intuitivamente percebeu que não “podia abandonar e deixar «sem rei nem roque»” os seus “homens, por quem, desde Chaves, me sentia responsável e quase «guardião» da sua própria vida.” Por isso, seminu, “com apenas cuecas e botas”, pegou numa arma automática (a belga FN) e “em algumas granadas de mão”, decidindo-se a atravessar a “parada varrida pelo fogo «inimigo»”, o que fez num momento em que tudo parecia “mais «calmo»”, correndo aos “«ziguezagues» como aprendera, e também ensinara,” para junto dos seus “homens”. Quase a “meio do percurso” sentiu um “ardor intenso na perna esquerda, bem perto do pé”, mas continuou a correr.

O oficial miliciano César Oliveira, futuro deputado do Partido Socialista, era então um estudante universitário precocemente mobilizado, empedernido oposicionista ao salazarismo e crítico convicto daquilo que seria o absurdo da política colonial portuguesa, além de avesso aos princípios da instituição militar em que se vira compulsivamente incorporado talvez um par de anos antes dos acontecimentos aqui relatados. Foi no entanto ele que, nesse dia em Buela, organizou a “defesa” com a ajuda de vários camaradas que nomeia.

Uma metralhadora pesada Breda, M37, de origem italiana, transformou-se num auxiliar precioso. Foi usada para disparar “sem cessar, às cegas”, porque não se via ninguém, até que o “cano” ficou quase “rubro de tanto metralhar”. Organizou-se depois e como se pode, sob a liderança do capitão Esteves de Almeida, o “contra-ataque à morteirada, disparando a esmo, a torto e a direito, para tudo quanto era lado”.

Do ataque resultou, além de um ferimento grave de que foi vítima o 1.º cabo Armando, um ferido ligeiro (justamente o autor do relato). O “ardor forte e intenso” que sentira na perna enquanto atravessara a parada em grande correria e debaixo de fogo fora provocado por um “pequeníssimo” estilhaço de uma granada de morteiro. Iniciado o tratamento dos dois únicos feridos – o mais grave, que sobreviveu, seria evacuado na manhã seguinte –, e depois de se começar a fazer uma primeira avaliação dos estragos causados pelos atacantes, o aquartelamento voltaria a estar sob fogo dos guerrilheiros, embora desta vez ataque tenha sido “menos forte e mais curto”, não provocando sequer baixas. Porém, as munições, especialmente as granadas de morteiro, foram quase todas gastas.

O que é e como se conquista e preserva o “moral” dos combatentes.

Este relato, como outros sobre aspectos mais prosaicos da vida deste oficial miliciano, quer durante o cumprimento da sua “comissão” em Angola, quer durante a recruta feita na metrópole, ensina alguma coisa sobre um dos elementos mais importantes, e em certa medida até determinante, para o desfecho de uma batalha, de uma campanha ou de uma guerra: o do moral dos militares. Na sua aparente simplicidade permite-nos perceber que o êxito ou o fracasso de um militar, ou dos militares, em combate são determinados pelo seu estado moral, sendo que um exército só é bem-sucedido, i.e. vencedor, se, para além de bem equipado e bem liderado, possuir um espírito combatente claramente superior ao do(s) inimigo(s).

Como deduziu em 1903 o marechal Foch, fazendo uma constatação que lhe parecia óbvia e que se tornaria célebre nos meios militares dedicados à avaliação dos resultados da acção de exércitos treinados e enviados para matar, se a “guerra” era igual ao domínio da força moral, a “vitória” numa guerra decorria da “superioridade moral” dos vencedores e da “depressão moral” dos vencidos.

Note-se, porém, que o termo “moral” foi usado pelo marechal tal como fora utilizado por muitos dos seus antecessores, por alguns dos seus contemporâneos e por aqueles que vieram depois dele, em análises várias que foram sendo feitas sobre a guerra e o espírito combatente (ou de combate) dos militares. Não dizia respeito a uma realidade com claras ou óbvias conotações éticas, ou seja enquanto interpretando a acção e os objectivos dos beligerantes como encarnação do bem e/ ou do mal. “Moral” tinha aqui um sentido essencialmente emocional e/ou psicológico que permitia que, por exemplo, os militares em combate não se rendessem a uma espécie de instinto natural de sobrevivência ou de auto-preservação.

Por outro lado, uma avaliação sobre o moral das forças armadas não buscava nem conhecer nem, sobretudo, atingir um nível moral irrepreensível capaz de fazer com que a generalidade, senão mesmo a totalidade, dos militares se comportassem como heróis no campo batalha, fosse numa frente guerra descrita como “convencional”, fosse numa outra definida como “irregular”. Uma avaliação do moral militares resumia-se a criar condições para que estes fossem capazes de criar e preservar a maior quantidade de tempo possível um elevado, ou pelo menos razoável, espírito de combate.

O moral dos militares é importante, para não dizer essencial, numa guerra. Mas é-o ainda para a população civil que directa ou indirectamente sustenta uma guerra e paga um preço mais ou menos elevado pela existência de um conflito militar.

Quatro factores de moral militar.

No que diz respeito às Forças Armadas a questão da sustentação do moral dos combatentes tem sido explicado à luz de quatro variáveis. Em primeiro lugar, tem-se defendido que um bom estado moral do militar depende do primado dos pequenos grupos de combatentes na organização militar para a guerra na frente, nomeadamente através da sua criação, consolidação e preservação.

Esta explicação, porém, tem as suas limitações, em especial pelo facto de muitos exércitos terem conseguido preservar um bom estado moral e, portanto, disponibilidade para continuar a lutar, a matar e a morrer mesmo em situações e/ou organizações em que os pequenos grupos não são a forma dominante de organização, ou em que os pequenos grupos são dizimados rapidamente como consequência da intensidade e violência dos combates.

Esta e outras limitações encontradas no modelo do pequeno grupo enquanto sustentáculo moral de forças militares, fizeram com que historiadores e outros estudiosos deste fenómeno tivessem identificado a “ideologia” como o cimento da “motivação em combate.” Ou seja, aquilo que a lealdade de um pequeno grupo não podia garantir era no fim de contas garantido pela forma como um conjunto mais ou menos tosco ou sofisticado de ideias políticas era inculcado em tropas mobilizadas para combaterem.

No entanto, e só por si, a doutrinação ideológica, tal como solidariedade entre combatentes organizados em pequenas unidades militares (pelotão, companhia ou mesmo batalhão, no caso da infantaria), não explica por si só as razões pelas quais alguns exércitos possuem e conseguem preservar um elevado moral ou espírito de combate.

É verdade que fornecer formação política (patriótica ou nacionalista) é importante quando se envia um militar para a frente de combate, da mesma que deve ser inculcado o sentido de dever que o faz aceitar a mobilização ou até oferecer-se como voluntário. No entanto, enquanto elemento capaz de criar e sustentar um elevado moral em combate, a doutrinação e a formação política-ideológica é um elemento necessário mas não suficiente.

A terceira variável igualmente considerada enquanto elemento de sustentação da motivação em combate assenta fundamentalmente em factores “negativos”, entre os quais se destaca o grau, a natureza e a eficácia das punições impostas aos combatentes. No entanto, aquilo que se sabe é que as forças militares que sofreram um maior número relativo ou absoluto de punições de militares em resultado, por exemplo, de deserções ou motins, não foram aqueles que maior ou melhor moral apresentaram na frente de batalha ou na retaguarda.

Resta, portanto, um quarto elemento explicativo da menor ou maior capacidade que um militar, ou um corpo de militares, apresenta para enfrentar as provações criadas pela guerra, sobretudo nos mementos em que o contacto com o inimigo acontece, aconteceu ou é iminente. A determinação de lutar e a capacidade de criar e preservar combatentes com um moral elevado decorre, fundamentalmente, da qualidade do treino, ou da formação militar, recebido antes, durante e após a presença dos militares na frente, seja qual for a natureza desta.

E porquê? Porque o treino militar contraria, em primeiro lugar, um dos aspectos que mais contribui para a erosão do moral: a rotina excessiva, para não dizer a monotonia. Depois distingue o militar do civil, gerando orgulho profissional e/ou corporativo. Em terceiro lugar porque cria coesão numa unidade (i.e., o chamado “espírito de corpo”). Em quarto lugar, bom treino militar e treino militar bem calibrado garantem que praças, sargentos e oficiais assimilam melhor o pensamento táctico, facto que tende a tornar instintiva a sua aplicação.

Por fim, o treino permite ainda que os militares enfrentem com maiores possibilidades de sucesso, ao ponto de as ultrapassarem, os desafios e as dificuldades decorrentes da introdução de tecnologias inovadoras. Isto significa que a importância do treino militar é fundamentalmente psicológica, porque geradora de processos que criam não apenas rotinas mas, também, a autoconfiança necessária para, por exemplo, enfrentar com êxito o factor surpresa que é, de longe, o maior factor destruição da coesão colectiva e do espírito de combate.

A narrativa da acção militar com que se deu início a este texto demonstra claramente ser razoável, ainda que não o ideal, o estado de espírito, ou o moral, dos militares portugueses que em Buela enfrentaram com êxito a acção militar levada a cabo pela UPA/FNLA num fim de tarde após a conclusão de um jogo de futebol entre os militares destacados naquele aquartelamento.

Nomeadamente, o factor surpresa, mesmo descontando a debilidade relativa, do ponto de vista militar, dos atacantes, não impediu uma reacção pronta e eficaz. E tal foi possível graças ao treino militar recebido durante a recruta e à rotina de treino adoptada em Buela.

É verdade que noutras passagens das suas memórias relativas aos anos que passou em Angola, César Oliveira relata a excessiva monotonia do quotidiano dos militares destacados no extremo norte daquela “província”, da mesma forma que dá conta da inexistência de outros confrontos com forças inimigas. Também refere a sua oposição, como de alguns outros oficiais, às escolhas políticas e ao discurso ideológico que sustentavam a bondade e a legitimidade da guerra em curso desde 1961, e não se exime de dar conta dos expedientes que abundantemente usou para escapar aos seus deveres militares em Buela. Nomeadamente encontrando pretextos relativos ao seu alegadamente deficiente estado de saúde, facto que lhe permitia descolar-se a Luanda e lá permanecer muito mais vezes e durante muito mais tempo do que seria normal.

Sucede, no entanto, que este aparente, ou real desleixo, é um procedimento normal nos conflitos militares, por ser uma forma de preservação de equilíbrios essenciais ao funcionamento, por exemplo, de uma unidade militar (o chamado “live and let live system” existente em todas as Forças Armadas).
O “moral” das “tropas” ou porque (nunca) estiveram as Forças Armadas portuguesas à beira de uma derrota militar…

Se extrapolarmos a experiência de um oficial miliciano tal como a relatada por César Oliveira e a cruzarmos depois com as considerações mais teóricas – independentemente das respectivas bases de sustentação empírica – sobre o que é o moral dos militares e como se consegue obtê-lo e preservá-lo, parece óbvio que até ao momento em que o regime nascido em 1933 foi derrubado na sequência de um golpe militar a 25 de Abril de 1974, o moral das Forças Armadas portuguesas mantinha-se em níveis aceitáveis que permitiam considerar realista a continuação do esforço militar nas colónias por mais alguns anos.

É verdade, no entanto, que o moral tropas era superior nas chamadas forças especiais do que no exército regular e entre as tropas recrutadas em África do que nas oriundas da metrópole (de qualquer modo na Primavera de 1974 era cada vez menor o número de militares mobilizados e colocados na frente oriundos do Portugal metropolitano, do mesmo que cabia cada vez mais às tropas especiais executarem a quase totalidade das operações militares de risco).

Sabemos muito pouco, e provavelmente nunca se saberá muito mais, sobre qual era o estado espírito dos homens que compunham as milícias civis recrutadas e treinadas localmente. Mas sabemos, por exemplo, que apesar de a contestação político-ideológica à guerra parecer estar a crescer, restando apenas saber se essa contestação poderia ser travada e até invertida, tanto em alguns sectores do Exército português como em alguns sectores da sociedade portuguesa nas colónias como na metrópole, a verdade é que os dados sobre o número de “desertores”, de “faltosos”, de auto-mutilações ou de “motins” não eram alarmantes embora fossem sempre motivo de atenção e preocupação por parte dos serviços de informação e acção psicológica, tanto civis como militares.

Isto significa, portanto, que sendo o problema do “moral” e/ou do espírito de combate uma preocupação das chefias civis e militares, a verdade é que como consequência do treino militar ministrado, mais do que como resultado de qualquer outra variável, e olhando para os dados globais disponíveis em torno do grau de coesão das Forças Armadas, o seu moral podia ter sofrido alguma erosão, mas essa erosão não só podia ser revertida – embora nunca saberemos se o poderia ter sido ou não.

Nesse sentido, só após o golpe que depôs o regime autoritário português é que se assistiu, ainda que não se saiba a que ritmo, ao descalabro do moral das Forças Armadas portuguesas. Ou seja, foram as mudanças políticas ocorridas após o 25 de Abril que destruíram o moral das Forças Armadas e as próprias Forças Armadas, e não uma crise profunda e generalizada nas Forças Armadas que conduziu ao derrube do poder político vigente até madrugada do dia 25 de Abril de 1974. (Fernando Martins - O Observador)

sábado, 25 de Outubro de 2014

COLÓQUIO INTERNACIONAL "A GRANDE GUERRA UM SÉCULO DEPOIS"

No ano em que se comemoram os Cem Anos do início da primeira Guerra Mundial, a “Grande Guerra”, a Academia Militar assinala esta efeméride com a realização de um Colóquio Internacional intitulado “A Grande Guerra Um Século Depois”.

A conferência inaugural deste Colóquio Internacional, intitulada “Portugal e a Guerra”, estará a cargo do Professor Catedrático Nuno Severiano Teixeira e ocorrerá no dia 12 de Novembro, pelas 14h00.


Da Comissão de Honra deste Colóquio faz parte, entre outras entidades, Sua Excelência o Presidente da República. (Exército)

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Sistema de vigilância da costa partilhado entre GNR, Marinha e Autoridade Marítima

O ministro da Administração Interna anunciou, esta sexta-feira, que o Sistema Integrado de Vigilância Comando e Controlo da costa portuguesa, até agora exclusivo da GNR, vai ser partilhado com a Marinha e a Autoridade Marítima Nacional.

Miguel Macedo disse que "esta poderosa ferramenta tecnológica" está ao serviço de Portugal e defendeu que as vantagens resultantes da sua utilização devem estar, nos termos da lei, disponíveis para todas as entidades públicas que possam beneficiar deste sistema.

"Neste sentido, saliento a importância do protocolo que está prestes a ser estabelecido entre a Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR, a Marinha e a Autoridade Marítima Nacional, onde são fixadas as condições de acesso ao sistema (...) e com os limites e os preceitos legais", explicou o ministro no discurso da cerimónia do 6.º aniversário da Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR, que decorreu em Lisboa.

A UCC da GNR tem competências específicas de vigilância, patrulhamento e intercepção terrestre ou marítima em toda a costa e mar territorial do continente e das Regiões Autónomas, competindo-lhe, ainda, gerir e operar o Sistema Integrado de Vigilância Comando e Controlo (SIVICC), que está a funcionar ao longo da orla marítima desde Dezembro de 2013.

Miguel Macedo considerou que esta nova cooperação "é um excelente exemplo de serviço ao país que dignifica e valoriza todas as entidades envolvidas", além de ser um caminho que deve ser seguido como resposta às novas ameaças.

"O aumento de complexidade de ameaças, o seu carácter transfronteiriço e o seu potencial destrutivo reforçam a evidente necessidade de aprofundar mecanismos de cooperação entre todas (...) as instituições a quem estão acometidas competências nos domínios da segurança e da defesa", justificou o ministro.

Para o governante, estas ameaças requerem, cada vez mais, respostas multidisciplinares e uma articulação eficiente dos recursos humanos e materiais ao dispor do Estado.

"É, portanto, imperativo, que todos afastem preconceitos e lógicas corporativas, presentes em todas as instituições, pois não se trata nesta matéria de definir qualquer tipo de supremacias institucionais", alertou Miguel Macedo.

Apelando à mobilização de todos, o ministro esclareceu que a participação das instituições neste esforço nacional tem de ocorrer dentro dos limites fixados na Constituição e na lei.

"Mas isso não impede a colaboração, a cooperação e a partilha, com vista à obtenção de um propósito comum e maior: garantir a segurança dos cidadãos e do país. Em escalas diferentes, a todos compete esta responsabilidade de prevenir e repelir as ameaças à segurança do Estado", sustentou Miguel Macedo.(JN)

EXPOSIÇÃO “ARTILHARIA – QUATRO SÉCULOS DE ARTE E CIÊNCIA”

A exposição temporária e de características itinerantes, sob o título “Artilharia – quatro séculos de arte e ciência”, encontra-se em exibição no Palácio dos Mesquitas – Évora, podendo ser visitada entre 2ª e 6ª feira, das 10H às 17H, até 06 de Janeiro de 2015.

Para além de breves textos sobre a importância e tecnicidade da artilharia no campo de batalha, desde os séculos XVI até ao XIX, encontram-se também expostas algumas peças museológicas interessantes desta temática e do acervo do Museu Militar de Lisboa.

FIM DOS TRABALHOS DE MANUTENÇÃO DA FRONTEIRA LUSO-ESPANHOLA

Concluíram-se em 03 de Outubro de 2014 os trabalhos de manutenção da fronteira luso-espanhola, executados conjuntamente por uma equipa do Instituto Geográfico do Exército (Portugal) e outra do Centro Geográfico del Ejército (Espanha).

A manutenção da fronteira Luso-Espanhola em 2014 foi efectuada em 2 fases: a 1ª decorreu entre 19 de maio e 27 de Junho, com o objectivo de verificar os marcos entre os números 121 E e 350, ambos inclusive, num total de 904 marcos. A 2ª fase, decorreu de 08 de Setembro a 03 de Outubro e teve como finalidade resolver as anomalias pendentes no relatório da 1ª fase da campanha, bem como 4 situações que ficaram pendentes de 2013.

No ano em que se celebram 150 anos da assinatura do Tratado de Limites entre Portugal e Espanha a 29 de Setembro de 1864, foi colocada no marco nº 231 uma placa comemorativa. Os trabalhos de manutenção da fronteira foram, ainda, acompanhados por uma equipa de reportagem da RTP, que deu a conhecer o trabalho desenvolvido pelos Institutos Geográficos de Portugal e Espanha na fronteira entre os dois países.

Este troço da fronteira é caracterizado pela orografia montanhosa da região (Serra do Larouco - Serra da Coroa) e pela falta de acessos junto à linha de fronteira, o que obrigou à utilização de meios aéreos para a colocação de alguns marcos. (Exército)

Tensão no Báltico reabre debate sobre a NATO na Suécia e na Finlândia

Sucedem-se os incidentes militares no Mar Báltico, que ameaça tornar-se num novo teatro de atrito político-militar na Europa. Como consequência, surge uma pergunta: vão a Suécia e a Finlândia abandonar a sua histórica neutralidade e aderir à NATO? De momento é improvável mas o debate foi reaberto.

A Estónia, a Letónia e a Lituânia, embora pertencendo à NATO, são os países com maior sentido de vulnerabilidade, temendo ser o próximo alvo de Moscovo. Mas também a Suécia e a Finlândia se inquietam. A tensão no Báltico cresceu nos últimos anos e disparou com a conquista da Crimeia pela Rússia.

Isolados, os incidentes não teriam relevância. O que “enerva” é a repetição. Exemplo: segundo a BBC, aviões da NATO interceptaram esta quinta-feira um “avião espião russo”. UmIlyushin-20 foi impedido de entrar no espaço aéreo da Dinamarca por dois F-16 dinamarqueses, depois interceptado por caças suecos, entrando a seguir no espaço aéreo da Estónia, onde passou a ser escoltado por dois F-16 portugueses até reentrar no espaço internacional.

O submarino fantasma

O caso do “submarino fantasma” de Estocolmo dominou a semana. A Marinha sueca desencadeou uma operação de “perseguição e caça” a um misterioso submarino, supõe-se que russo, ao largo da capital. O aparato fez relembrar cenas da Guerra Fria: em 1981, os suecos retiveram durante dez dias um submarino soviético, com armas nucleares, junto da sua maior base naval.

A operação, com navios e helicópteros, foi lançada no sábado. Na segunda-feira, o diário sueco Expressen dedicou-lhe 20 páginas. Moscovo desmentiu as acusações. Os especialistas acreditam tratar-se de um “submarino-miniatura” que, na miríade de ilhas e baías ao largo de Estocolmo, facilmente encontraria esconderijo. Mais do que a intrusão, é a impotência militar que preocupa os suecos. Venderam em 2008 a frota de helicópteros anti-submarino e só em 2017 terão outra.

O mais traumatizante episódio remonta a 29 de Março de 2013. Bombardeiros intercontinentais e caças russos fizeram um exercício em que simulavam um ataque surpresa contra Estocolmo e alvos militares no Sul da Suécia. A Força Aérea sueca foi incapaz de reagir de imediato.

A Suécia dispôs de um dos mais poderosos exércitos do mundo. O fim da Guerra Fria e a crise económica dos anos 1990 levaram à sua drástica redução. Estocolmo apostou nas missões internacionais e descurou a defesa do território. Em Dezembro de 2012, o comandante das Forças Armadas chocou o país ao declarar que, em caso de ataque, o exército só poderia defender o país durante uma semana.

A nova Rússia de Vladimir Putin e a pressão que ela exerce sobre os vizinhos, designadamente sobre os três Estados bálticos, força os suecos a repensar uma neutralidade de dois séculos: “Nenhuma aliança militar em tempo de paz, neutralidade em tempo de guerra.”

A semi-neutralidade

A neutralidade da Suécia e da Finlândia já não é o que era durante a Guerra Fria. Entraram na União Europeia. Não fazem parte da NATO mas aderiram à sua Parceria para a Paz, em 1994. São “parceiros disfarçados da NATO”. Participam em exercícios da Aliança e em missões no Kosovo e no Afeganistão. Estocolmo teve um activo papel nas operações aéreas na Líbia em 2011. Em Junho, as marinhas russas e da NATO fizeram manobras navais paralelas e, entre as forças da Aliança, estavam navios suecos e finlandeses.

Até agora, ambos os países acreditavam na “solidariedade” — da UE e da NATO — em matéria de segurança. Mas sabem que a garantia perante um ataque militar só se aplica aos membros da NATO. Dinamarqueses e noruegueses avisaram a Suécia de que, em caso de agressão, só a ajudarão no quadro da NATO. Por isso a questão passou a ser objecto de debates parlamentares.

Escreveu em Março o diário sueco Aftonbladet: “Na verdade não há alternativa à NATO. Uma adesão retiraria a Suécia do vazio que caracteriza actualmente a sua política de segurança.” Em Abril, Martti Ahtisaari, antigo presidente finlandês, defendeu a entrada do seu país na NATO. Mas a opinião pública resiste. Para 50% dos suecos e 58% dos finlandeses, os seus países devem permanecer fora da Aliança.

Anota o britânico The Guardian que, se os suecos perderem a confiança nas suas Forças Armadas para garantirem a segurança do país, “a longo prazo, a lógica da posição geoestratégica da Suécia tornará a adesão à NATO quase inevitável”.

Perguntam-se os nórdicos: até onde está Moscovo disposta a ir? Para o ex-MNE sueco Carl Bildt, que defende uma linha dura perante Moscovo, “o Báltico será o grande teste à relação entre Ocidente e Rússia”.

Qual é a lógica das “provocações” de Moscovo, que não tem interesse em hostilizar a Suécia e a Finlândia? Responde Tomas Ries especialista de segurança no Colégio de Defesa Nacional, de Estocolmo: “A Rússia está a enviar uma mensagem ao mundo exterior dizendo que ‘a velha Europa’ acabou. (...) A Rússia quer criar um novo statu quo na Europa.”

Moscovo não tem interesse em antagonizar a Suécia e a Finlândia. O que lhes diz é que terão mais problemas de segurança se continuarem a aproximação à NATO. (Fonte: Público )